Foto: Hedeson Alves/SEED-PR

PSTU Paraná

O Paraná obteve o segundo melhor índice IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) entre todos os Estados brasileiros no Ensino Fundamental I (6,44), em 2019, ficando atrás apenas do Estado de São Paulo. O seu índice IDEB para o Ensino Fundamental II (5,07) e para o Ensino Médio (4,35) estão também entre os mais altos do país. Mas será que essa é mesmo a realidade das nossas escolas paranaenses?

O atual governado Ratinho (PSD) adora gastar milhões em propaganda para nos vender um lindo Paraná, mas a realidade da maioria das escolas é de profunda precarização. Muitas vezes os professores não conseguem nem imprimir seus materiais de aula porque não tem tinta na impressora.

Quem garante o funcionamento das escolas públicas são os trabalhadores da educação, que sofrem com péssimos salários e condições precárias de trabalho.

Todos os projetos implantados ou almejados para a educação por Bolsonaro (PL) e Ratinho Junior, seu aliado no Paraná, têm o objetivo de desmontar a educação pública em dois caminhos: desacreditando a escola por ser um espaço de desenvolvimento do pensamento critico, o que esses governos chamam de educação ideológica, e, por outro lado, incentivando a fiscalização dos professores, para desvalorizar e desmoralizar, ainda mais, esta categoria. Um símbolo desta política foi o projeto conhecido como “Escola sem Partido”, que teve muito eco entre deputados estaduais e vereadores de diversas cidades do Paraná .

É dessa forma que Bolsonaro trabalha para desmontar a educação. Utilizando-se do MEC (Ministério da Educação), através da hipocrisia de escalar seus ministros por questões técnicas, mas que na verdade são escolhas ideológicas de perfis fiéis as ideias bolsonaristas de desvalorização da educação básica e superior. Isso ficou cada dia mais evidente com os sucessivos cortes do orçamento das escolas e universidades. Recurso este usado no famigerado “orçamento secreto” para comprar deputados do Centrão a votarem junto com o governo.

Essa política para a indicação de ministros da educação só serviu para gerar atrasos em metas educacionais e para ampliar a corrupção neste ministério. Não é atoa que nesses quase 4 anos de governo o que a gente viu até agora é um troca-troca de ministros por diversos motivo: desde problemas de mentiras no currículo, denúncias de corrupção favorecendo prefeituras ligadas a pastores evangélicos, gente denunciada por racismo, divulgação de notícias falsa e mais um monte de absurdos, que serviram para desviar a atenção da opinião pública para a maior das atrocidades: as universidades quase tiveram que fechar as portas porque não havia recurso para mantê-las funcionando.

Não à Reforma do Ensino Médio!

No Ensino Médio, Bolsonaro e Ratinho Junior implementaram uma reforma que diminui a carga-horária de disciplinas fundamentais para que nossa juventude reflita sobre a realidade de sua vida e do país. E no ensino básico, como um todo, ao invés de ampliar o financiamento das escolas, implementaram as escolas cívico-militares, que não focam na formação para a cidadania, mas em uma disciplina rígidas para professores e alunos, como se estivessem em quartéis, o que obviamente não garante uma educação de qualidade.

A pandemia da covid-19 aumentou ainda mais a desigualdade entre a educação dos filhos da classe trabalhadores e a dos filhos dos ricos. Enquanto as escolas privadas, da elite, puderam seguir com toda a tecnologia de ponta, mais de 90% das crianças e adolescentes deste país não tiveram sequer aulas online, porque não tinham simplesmente computadores, tabletes e, menos ainda, acesso à Internet.

Isso porque o governo federal, a serviço dos grandes empresários, quer uma escola precarizada e acrítica formando mão de obra barata para atuar no mercado de trabalho. Assim, as escolas servem muito mais como depósito de crianças e adolescentes, pois sem estrutura e sem ter funcionários suficientes, tornam-se cada vez menos espaços de aprendizagem e de desenvolvimento do conhecimento historicamente produzido pela humanidade.

Para mudar essa realidade é preciso garantir uma educação pública, totalmente gratuita e socialmente referenciada na liberdade de métodos de se ensinar e de se aprender, em que sua centralidade esteja no desenvolvimento do pensamento critico, em todos os níveis de ensino, da educação infantil até o ensino superior.

Lutar em defesa da educação pública!

Garantir boas condições de trabalho a todos os profissionais da educação, investindo na formação continuada, reduzindo o número de alunos por salas de aula, garantindo 50% de hora atividade, incorporando os trabalhadores terceirizados e os contratados por tempo determinado ao quadro de funcionários efetivos e promovendo novos concursos públicos.

Para isso precisamos de investimentos maciços na educação, portanto é preciso acabar com a Lei do Teto dos Gastos e a Lei de Responsabilidade Fiscal, que corta verba da educação para garantir o pagamento da dívida pública aos banqueiros.

Não podemos ter medo de nos enfrentar com os super-ricos, taxando as suas fortunas, expropriando os bilionários, estatizando as cem maiores empresas sobre o controle dos trabalhadores e deixando de pagar a dívida pública aos banqueiros, que levam quase metade do orçamento de todo o país.

E, para acabar com a desigualdade entre a educação dos mais pobres e a dos super-ricos, nesse país, precisamos expropriar as grandes redes de ensino privado, criando um sistema único de educação, em que todos, sem distinção, possam estudar num mesmo modelo escolar.

Para concretizarmos isso, precisamos de um verdadeiro governo dos trabalhadores com um programa socialista, de ruptura com a dominação das grandes empresas, apoiado em conselhos populares. E, nessas eleições, somente Vera e Raquel Tremembé, 16, apontam nesta direção.

Precisamos nos organizar para tomar em nossas mãos o poder político da sociedade. Só assim conseguiremos garantir as medidas econômicas e políticas para acabar com todas essas injustiças, toda a exploração e opressão.