A marcha do MST no RS: um balanço necessário

Após 62 dias de caminhada, as 1.500 famílias de trabalhadores sem-terra que marchavam no Rio Grande do Sul decidiram encerrar a mobilizaçãoA decisão foi anunciada depois que as famílias consideraram positiva a proposta do Incra e do Ministério Público Federal de Passo Fundo para assentar 2 mil famílias até o final do próximo ano.

Além desta conquista, na avaliação do movimento, a marcha foi bem sucedida por denunciar a situação da fazenda Guerra, com 7 mil hectares, gerando apenas dois empregos diretos.

A Conlutas adverte: o latifúndio mata
Mata, no campo, quem luta pela terra, como Chico Mendes, Dorothy Stang, Keno e centenas de outros. Só durante a 1ª guerra do Iraque, morreram menos soldados dos USA do que sem-terra assassinados por jagunços no Brasil. E o latifúndio mata na cidade: o Brasil produz safras recordes de grãos a cada ano e, a cada ano, aumenta o número de famintos. Porque a terra, na mão de poucos, serve para produzir lucros para alguns e não comida para todos.

Os grandes fazendeiros dizem que têm o direito de defender a terra que conseguiram com seu trabalho. Falemos seriamente: ninguém acumula milhares de hectares de terra apenas com seu próprio trabalho! A imensa maioria dos latifúndios do Brasil foram construídos à custa da expulsão dos pequenos agricultores, índios e posseiros.

A Fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul (RS), gera dois empregos diretos atualmente e ocupa mais quase a metade das terras do município, além de se espalhar por municípios vizinhos. Se fosse repartida, poderia sustentar mais de 400 famílias, gerando muito mais emprego, renda e alimento do que hoje em dia.

A Fazenda Southall, em Bagé, defendida à bala pelos fazendeiros, possui uma dívida impagável: R$ 53 milhões. A Federação da Agricultura (Farsul), que reúne os grandes fazendeiros, prefere vê-la produzindo eucalipto, com meia dúzia de funcionários, do que dividida entre 500 famílias de trabalhadores rurais.

Por tudo isso e muito mais apoiamos a luta dos sem-terra, mas achamos que sua direção, o MST, está errada em confiar no governo Lula, um governo que traiu e trairá ainda mais os trabalhadores do campo e da cidade. Lula não fez e não fará a Reforma Agrária. As únicas reformas que pretende fazer são aquelas que atacam os trabalhadores: a reforma universitária, sindical, trabalhista e previdenciária.

A Conlutas apóia os sem-terra, mas o MST precisa romper com Lula e apoiar a Conlutas na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores. Afinal, é preciso lutar e é possível vencer.