29M em Belo Horizonte. Foto Gustavo Olimpio

Neste 29M, jovens indignados contra o governo Bolsonaro estiveram presentes nos protestos em todo o país, motivados pela certeza de que, neste momento, a manutenção do atual governo é mais perigosa que o próprio vírus. Os atos foram uma resposta, em primeiro lugar, ao agravamento da pandemia. Uma demonstração de que o povo brasileiro sabe que o governo federal é responsável pelos mais de 450 mil mortos. E que, para barrar o genocídio, é preciso derrubar Bolsonaro.

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Editorial: Depois do 29M

A juventude não quer morrer de fome, de bala da polícia ou com o vírus

Não é à toa que a juventude era maioria nas manifestações. Se não há vacinas suficientes nem para os idosos e as pessoas com comorbidades, imaginem para os jovens. Perspectiva de vacinação? Se depender de Bolsonaro, nenhuma.

Sem condições de fazer isolamento social, para a maioria só resta correr risco, todos os dias, de ir trabalhar no meio da pandemia. Mas, grande parte sequer tem trabalho. Nem auxílio emergencial. E se o desemprego já está alarmante para o conjunto da população, na juventude é pior ainda. Os empregos destinados aos jovens são precários e sem direitos mínimos, como no telemarketing ou como entregadores dos serviços de aplicativos. É, além disso, a juventude negra ainda é alvo da violência racista e das balas das polícias nas periferias.

Foto Sérgio Koei
PELO PRESENTE E O FUTURO

Sem acesso a empregos dignos e à educação decente, a juventude vai à luta!

Falam que temos que estudar para conseguir melhores empregos, como se fosse possível ascender socialmente, através do esforço individual, numa sociedade capitalista como a nossa. Mas, viver e sobreviver, neste mundo, não tem nada a ver com esforço. Ou será que o povo trabalhador, que acorda cedo e trabalha o dia inteiro, não se esforça para melhorar de vida?

O problema é que a riqueza que a maioria produz, através de seu esforço e trabalho, vai parar nas mãos de um punhado de ricos.

E, além disso, não conseguimos sequer ter acesso ao básico da educação. E na pandemia a situação está ainda mais caótica. Primeiro, hipocritamente, colocaram a Educação como serviço essencial, para fazer pressão pela volta às aulas, expondo milhões de estudantes e profissionais da educação ao risco. Depois, cortaram mais de R$ 1 bilhão de verbas do setor, o que tem feito que muitas universidades anunciem que não vão conseguir funcionar mais. O dinheiro da Universidade Federal Fluminense (UFF), por exemplo, acaba em julho.

Atos da juventude pela vida versus aglomerações negacionistas de Bolsonaro

Por que fomos às ruas no meio da pandemia, com risco de sermos contagiados? Talvez porque, diante de todos os riscos que corremos, dia após dia, como a falta de perspectiva de vida, a manifestação seja o lugar mais seguro para se estar. O único lugar onde podemos garantir não só nosso presente, mas também o futuro.

Não adianta que os defensores do governo venham, agora, com a cara de pau, tentar usar as manifestações do dia 29 de maio como um salvo-conduto e “justificativa” para as aglomerações promovidas por Bolsonaro. Todos sabem que as manifestações feitas por Bolsonaro servem à sua política negacionista e de morte.

As manifestações do dia 29 ocorreram com todos usando máscaras e adotando protocolos de segurança sanitária. Não ocorreram porque a juventude ignora a pandemia ou acha que é só uma gripezinha. Ou que tanto faz, ou não, respeitar as medidas sanitárias. Pelo contrário, os protestos aconteceram porque são o único caminho para garantirmos as medidas necessárias para combater o vírus. Algo que passa, primeiro, pela derrubada de Bolsonaro.

AVANÇAR

A luta não pode parar agora! Vamos até a queda do governo!

O que se iniciou neste dia 29 é uma missão histórica das mais importantes. Aquela energia que sentimos nas ruas não pode se dispersar. Bolsonaro e a ultradireita não darão trégua. As ameaças de autogolpe, inclusive, seguem sendo feitas. Então, é preciso avançar na luta, organizando uma greve geral sanitária.

É preciso promover mobilizações e assembleias por todo o país. Precisamos de um novo dia de luta. E fazer todo o possível para que mais gente se junte pela derrubada de Bolsonaro. As direções das grandes entidades do movimento, como CUT, UNE etc., têm que fazer isso.

Transformar a eleição de 2022 na salvação da vida dos trabalhadores, como faz o PT, é uma enganação. É preciso a mais ampla unidade para derrotar o Bolsonaro nas ruas. Mas, hoje, o que a oposição parlamentar (de todos os partidos) faz é tentar impedir que os ânimos do país transbordem. Não querem que nada saia do seu controle, para ir sangrando Bolsonaro até a eleição.

Esta é uma ideia burra e perigosa, pois ninguém sabe exatamente como será o dia de amanhã e esta tática não garante sequer a vitória sobre o Bolsonaro. Muito menos sobre a ultradireita e, menos ainda, atende aos interesses dos trabalhadores.

Cabe a pergunta: À custa do que e de quem estão tramando pelas costas dos trabalhadores, enquanto milhares estão tomando as ruas? Temos que derrotar Bolsoanro, hoje, agora e já! Isso salvará vidas, enterrará ameaças e colocará a possibilidade de superarmos todas as alternativas limitadas que temos diante de nós.

O PT quer, sob o manto da luta contra Bolsonaro, manter a situação sob controle, atrair os ativistas e tentar construir um grande consenso em torno de uma candidatura em aliança com grandes setores da burguesia. Essa política de Frente Ampla, para fazer um governo capitalista, não significa derrotar a direita; mas, sim, capitular a uma parte dela.

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