A exploração determina o grau de opressão sobre a mulher

Todas as mulheres são oprimidas por serem mulheres, mas não são oprimidas da mesma forma. O que determina o grau de opressão que pesa sobre uma mulher é a classe social à qual ela pertence, o grau de exploração que pesa sobre seus ombrosA exploração, a apropriação da força de trabalho das grandes massas de homens e mulheres pela classe burguesa, é a máxima desigualdade que existe entre as pessoas.
Essa desigualdade significa um antagonismo total e irreconciliável entre os exploradores e os explorados, entre as classes e entre seus partidos e organizações. Desde que surgiu, a exploração se converteu no fato determinante de toda a história da humanidade dali em diante. Não se trata de uma submissão injusta por razões culturais, raciais ou sexuais, mas um fato econômico fundamental, que está na base da produção de toda a sociedade de classes.

Em última instância, a luta entre os exploradores e os explorados é o motor da história. E todas as formas de opressão sexual, racial, nacional ou cultural estão subordinadas a essa luta fundamental.

Então, na questão da mulher temos de levar em conta as classes sociais, ver que elas sofrem a opressão de forma diferente conforme a classe à qual pertencem, e também temos de levar em conta os períodos históricos. Hoje nós vivemos dominados pela exploração capitalista e sufocados pelo imperialismo. Essa é a luta determinante. Enquanto não acabarmos com isso, todas as nossas conquistas contra a opressão da mulher tendem a perder-se. Isso não significa que não lutemos contra a opressão, pelo contrário, lutamos com mais afinco, exigindo nossos direitos. Mas sabendo que em última instância tudo depende de nossa luta anticapitalista e antiimperialista.

As mulheres trabalhadoras e pobres devem organizar-se junto de sua classe
Enquanto existir a exploração capitalista e imperialista, a maioria das mulheres terá de enfrentar todos os dias os problemas que atingem todos os explorados do mundo, independente de seu sexo, raça ou cor. Esses problemas comuns, que são a fome, a miséria, o desemprego, os baixos salários, a falta de serviços públicos de qualidade, a incerteza diante do futuro, a violência cotidiana e cada vez mais brutal que destrói nossas famílias, unem com vínculos de ferro a todos os explorados do mundo. E fazem com que as mulheres trabalhadoras tenham como preocupação central a mesma que os homens de sua classe: a luta pela sobrevivência.

E por isso as mulheres trabalhadoras devem organizar-se nas entidades de sua classe, como os sindicatos, as centrais de luta, os sem-terra e outras, e no partido revolucionário para poder lutar contra o capitalismo e o imperialismo, para acabar com a exploração econômica. Só em casos excepcionais as mulheres trabalhadoras levam uma luta comum com as mulheres burguesas contra a opressão.

Os trabalhadores e suas organizações devem assumir a luta contra a opressão da mulher como uma luta de toda a classe
Enquanto existir a exploração capitalista e o imperialismo, seus problemas de opressão, como a legalização do aborto, as creches nos locais de trabalho, o fim do assédio sexual, o fim da desigualdade salarial, o fim da violência doméstica, se transformam em bandeiras a serem assumidas pela classe trabalhadora de conjunto, homens e mulheres, porque a luta contra a opressão tem de vir junto com a luta contra a exploração econômica.

Faz parte do nosso trabalho revolucionário convencer setores cada vez mais amplos de trabalhadores sobre a importância das lutas contra a opressão da mulher. Porque elas podem, dependendo da direção, assumirem uma dinâmica anticapitalista, ao ganhar para o movimento a milhões de mulheres trabalhadoras.

Enquanto existir a exploração capitalista, as mulheres da classe trabalhadora e as massas exploradas do mundo inteiro terão como tarefa prioritária a luta anti-imperialista e pela revolução socialista, único caminho possível para se começar a construir uma nova sociedade, onde os problemas da sobrevivência cotidiana, já resolvidos, abrirão espaço para a solução definitiva dos problemas de opressão que atingem a todas as mulheres.

Por isso sempre comemoramos o 8 de Março chamando as mulheres trabalhadoras e pobres a participar das lutas de sua classe contra a exploração capitalista e contra o imperialismo; a se organizem nos partidos políticos de sua classe e repudiem os partidos burgueses. A se filiar aos sindicatos de sua categoria, onde formem comissões de mulheres trabalhadoras para debater seus problemas específicos e lutar contra o machismo e a marginalização das mulheres.

A luta contra a opressão não é mero discurso nos dias de festa, nos 8 de março. É uma luta diária, e concreta. Cada mulher que se filia ao Sindicato ou participa de uma greve dá um passo fundamental em sua emancipação. Cada vez que uma mulher se conscientiza de sua situação e se dispõe a enfrentá-la, também está dando mais um passo na luta contra a opressão. Cada mulher que se conscientiza de sua importância na luta pelo socialismo e se dispõe a ajudar na construção do partido revolucionário, fazendo o que melhor saiba fazer, é uma mulher que está enfrentando sua opressão, libertando-se das suas amarras e abrindo o caminho para a emancipação total de todas as mulheres.

Mas para conquistar a emancipação total de todas as mulheres é preciso que a classe trabalhadora tome o poder em todos os países, e com isso possamos começar a construir uma nova sociedade, o socialismo, onde aí sim os problemas relativos a opressão poderão entrar em vias de solução definitiva.

A revolução socialista na Rússia, por exemplo, foi fundamental para a emancipação da mulher. Nos seus primeiros anos, antes da burocratização do Estado operário pelo stalinismo, os bolcheviques tiveram uma política consciente por liberar a mulher da escravidão do lar porque eram conscientes de que sem isso ela não poderia ocupar o lugar que a revolução necessitava na condução do Estado operário. Apesar da burocratização e da restauração do capitalismo, a revolução socialista na Rússia deixou grandes lições e mostrou ao mundo que em poucos anos, num estado operário em transição ao socialismo, mesmo em economias atrasadas em comparação às potências imperialistas, as mulheres conquistaram muito mais do que em séculos de capitalismo.

As lutas das mulheres são parte integrante da revolução socialista, porque o capitalismo senta as bases objetivas para a independência das mulheres, mas não pode levar isso até o fim, fazendo com que essa independência se volte contra ela. A burguesia se tornou incapaz de cumprir as tarefas democráticas, historicamente ligadas à sua ascensão e só sob a direção da classe trabalhadora essas lutas podem chegar a cumprir as tarefas democráticas. Por isso, qualquer frente permanente com a burguesia leva a abandonar a luta por essas tarefas.

Na atual época histórica, de decadência cada vez maior das forças produtivas e das condições de vida dos trabalhadores, o imperialismo não pode solucionar nenhum problema de forma definitiva e por isso as lutas democráticas, como as das mulheres, podem num determinado momento e sob determinadas condições, assumir uma dinâmica anticapitalista. Tudo depende do contexto, do programa e, sobretudo, da direção.

É por isso que nós chamamos a todas as mulheres da classe trabalhadora a lutarem contra a sua opressão mas desde dentro de sua classe, como parte da luta da classe trabalhadora de conjunto contra a exploração capitalista, contra o imperialismo e pela revolução socialista. A grande e verdadeira luta das mulheres pela emancipação está hoje na luta pela revolução socialista. Sem a participação massiva das mulheres, a luta pelo socialismo e pelo fim definitivo de todas as opressões é um sonho impossível.