A eleição de Dilma: não basta ser mulher para representar as trabalhadoras

Eleição de Dilma é a face feminina do imperialismo no nosso país

Em 2011, pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher assumiu a presidência do país. Junto com ela, o maior número de ministras mulheres. Isso não é um fato menor no maior país católico do mundo, onde a cada duas horas a violência machista mata uma mulher. Um país em que elas são a maioria da população, estudam em média mais que os homens, mas ainda ocupam as profissões menos remuneradas e chegam a ganhar até 30% menos para fazer o mesmo trabalho.

Isso é, em certa medida, o reflexo distorcido do avanço da consciência. Do ponto de vista do gênero, significa afrouxar os preconceitos em relação à capacidade das mulheres. Porém, do ponto de vista de classe, significa a reafirmação de uma política de governo com a qual fizemos a experiência nos últimos oito anos, que se apoia nos movimentos organizados da classe, mas que está a serviço da burguesia. Por isso, não há dúvidas de que a sua ascensão ao poder é a face feminina do imperialismo em nosso país e não revela nenhum avanço para a luta das mulheres trabalhadoras.

O contexto da eleição da atual presidente foi marcado por um processo recheado de machismo e retrocesso. O PT trocou uma bandeira histórica de luta das mulheres, a legalização do aborto, pela vitória de Dilma. E mais, com a Carta ao Povo de Deus alinhou-se aos setores religiosos e de extrema direita, atestando que não promoverá mudanças na legislação no que se refere ao aborto.

Ao assumir o governo, Dilma garantiu aos seus pares um aumento significativo nos salários (62%), inclusive ao dela (132%). Enquanto isso, o salário mínimo teve aumento de apenas R$ 35. Um ataque direto às mulheres, que dentre os que recebem o mínimo representam 53%.

A burguesia tem se apoiado na questão de gênero, ratificando a eleição de Dilma como um avanço das mulheres, que terão a coragem para fazer as reformas necessárias. Reformas que servem à burguesia, por exemplo, a tributária e previdenciária.

É preciso que sigamos, enquanto mulheres e trabalhadoras, reafirmando a necessidade de que nossas bandeiras feministas históricas seguem sendo nosso combustível para organização e luta das mulheres. Este novo governo nada de novo representa para as mulheres trabalhadoras. Nossa luta pela libertação das mulheres segue e só poderá ser vitoriosa com o fim desse sistema de opressão e exploração em que vivemos.