A crise no setor de ferroligas e empresas eletrointensivas de Minas Gerais


Milhares de empregos estão sendo extintos e cidades inteiras podem desaparecer por conta da política do governo

Desde 2008, o Brasil vive os efeitos da crise internacional. As medidas do Governo Lula naquele período, e depois da presidente Dilma, conseguiram prorrogar seus efeitos. Aparentemente, o Brasil percorria um caminho inverso dos demais países, inclusive mais desenvolvidos, que mergulhavam no desemprego, redução de direitos e desindustrialização. Este caminho estaria atrelado aos BRIC´s (Brasil, Rússia, Índia e China) e estaria diante dos brasileiros uma nova era.

Na verdade, os recursos do Estado serviram para turbinar o lucro de empreiteiras, bancos e multinacionais e não serviram para resolver os vários problemas estruturais da economia, incluindo aí o setor elétrico.

Os custos desta nova era não tardaram a aparecer. Ao contrário de eliminar de uma vez por todas a dependência da economia brasileira das grandes empresas e bancos internacionais, aconteceu exatamente o oposto. Hoje o Brasil vive uma intensa crise econômica, com aumento do desemprego, da inflação e colapso das contas públicas, principalmente porque as taxas de juros sobem mês a mês.

Um dos efeitos desta crise foi o surgimento de um mercado especulativo com a venda de energia: o CCE (Câmara de Comercialização de Energia) ou Mercado Livre de Energia. Neste mercado as empresas de energia e grandes consumidores poderiam comprar, renegociar e revender suas cotas de energia, na maioria das vezes com contratos antigos com as concessionárias, no caso de Minas da CEMIG.

Muitas empresas siderúrgicas utilizaram deste mecanismo para turbinar seus lucros, jogando nas costas da população trabalhadora e pobre o alto custo destas movimentações. Desde então, gradativamente, as empresas vinham revendendo parcelas ociosas de seus contratos, e inclusive, passando a importar produtos e desligando fornos. O setor de alumínio foi totalmente desmantelado no Estado e cotas de energia circulam a preços exorbitantes pagos, no final das contas, pela população. 

Milhares de empregos foram perdidos. Em Minas Gerais calcula-se que dos 8 mil postos de trabalho diretos em ferroligas, pelo menos 4 mil foram perdidos, e outros 25 mil indiretos também. A Novelis e Alcoa finalizaram a produção de alumínio, com pelo menos 2 mil demissões diretas. Além disso, milhões de reais deixaram de ser arrecadados pelos governos, o que falta para manter os investimentos em saúde, educação e moradia.

Em Minas Gerais, cidades inteiras podem deixar de existir caso persista a atual política econômica e essa política para o setor elétrico. O fechamento de empresas ocorre no Norte de Minas (Pirapora, Várzea da Palma, Capitão Eneas, Boicaiuva). No Campo das Vertentes, em São João Del Rei. Em Ouro Preto, na região
Central.

No último dia 22 de junho, a presidente Dilma enviou ao Congresso a Medida Provisória 677 que prorroga o contrato entre empresas no Nordeste e a CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco) subsidiária da Eletrobrás. Disso resulta que as grandes empresas continuarão pagando preços muito baixos pela energia.

As empresas de geração e distribuição de energia tiveram lucros absurdos nos últimos anos cobrando contas abusivas, reduzindo salários e direitos dos trabalhadores com terceirizações e diminuição do quadro, e especulando no mercado livre. Esse modelo foi criado por FHC e teve prosseguimento com Lula e Dilma. Para se ter idéia, a CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais) obteve lucros bilionários nos últimos anos.

Veja abaixo o lucro líquido em bilhões de reais.

2014 – R$ 3,137

2013 – R$ 3,104

2012 – R$ 4,272

2011 – R$ 2,415

2010 – R$ 2,258

O que fica claro aqui são as opções do governo Dilma:

1) Privilegia os interesses das grandes empresas, acionistas, e concessionárias de energia. Pois o valor pago por estas empresas é muito superior ao valor pago pela população. O valor do megawat/hora das residências chega a ser 10 vezes superior ao grande consumidor industrial.

2) As grandes empresas de energia elétrica tiveram lucros astronômicos nos últimos anos. Portanto, os últimos aumentos na conta de luz tiveram somente o objetivo de garantir os lucros destas empresas.

3) Para garantir o desenvolvimento do país o setor elétrico deve imediatamente voltar ser estatal, controlado pelos trabalhadores do setor e pela população.

4) A medida provisória do governo não concede estabilidade no emprego aos funcionários das empresas privilegiadas.

Diante desta situação que afeta milhares de pais e mães de famílias, trabalhadoras em Minas Gerais e no país, e sindicatos, estão convocando atos e paralisações em várias cidades para protestar por empregos, redução dos preços na energia e reestatização do setor elétrico. A jornada de lutas começa em Pirapora no dia 1º de julho e ocorrerá em outras cidades e regiões. A classe operária não aceitará mais desemprego, redução de direitos, aumento das contas de luz e água, e destruição de cidades inteiras. Exigimos uma vida melhor para nossas famílias e para isso faremos todo o possível por nossos empregos.

Por isso exigimos da presidente Dilma Rousseff e do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), que editem uma MP que:

1)  Reduza o valor da tarifa de energia elétrica para as indústrias e para as residências;- Acabe com a retaxação das Bandeiras que aumento a cada 100 KW/h a conta de luz em R$ 2,5 a Amarela e em R$ 5,5 a Vermelha.

2) Garanta isenção das tarifas de energia elétrica, IPTU, contas de água, e outros impostos para os trabalhadores demitidos.

3) Acabe com a CCEE para que as empresas não possam mais vender energia no mercado livre.

4) Garanta o fim das demissões;

5) Recontrate imediatamente os demitidos, com a garantia de todos os direitos.

6) Estatize o sistema elétrico, de geração distribuição de energia. No caso de Minas, com expropriação das ações da Construtora Andrade Gutierrez.

*Metalúrgicos e dirigentes da Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais