Foto Roosevelt Cassio/SindmetalSJC

Geraldo Batata e Atnágoras Lopes

Nos últimos meses, centenas de milhares de ativistas foram às ruas e têm atuado ativamente para construir as mobilizações pelo Fora Bolsonaro e contra a sua escalada autoritária junto à sua quadrilha de ultradireita. Essas mobilizações alcançaram centenas de cidades onde ocorreram atos, e mobilizou milhares de trabalhadores em panfletagens em fábricas, ônibus e metrôs, feiras nos bairros, ocupações, etc. Dentro da pauta do movimento também estão as lutas por vacinas, contra o retorno às aulas sem vacinação de toda população, e contra as privatizações.

Ao mesmo tempo, e como parte da agitação nas lutas, crescem também a insatisfação popular contra a inflação, sobretudo o aumento dos preços dos alimentos, combustíveis e tarifas públicas; contra a fome, o desemprego, e insegurança alimentar que tomam conta dos lares do país. As revelações da “CPI da pandemia” também mostram a corrupção na negociação de vacinas entre quadrilhas e membros do governo e sua base no Congresso.

A ação do movimento de massas é uma resposta a toda essa situação, ganhou apoio popular e derrubou a aprovação do governo, além de deixar improvável sua reeleição ano que vem. Aumenta a percepção na população de que Bolsonaro é um dos governos mais corruptos da história. O que leva centenas de milhares de ativistas, homens e mulheres, jovens e trabalhadores às ruas é a necessidade imediata de derrubar Bolsonaro e seu governo genocida.

Por outro lado, a burguesia se divide, e cada dia mais proliferam manifestos em defesa da democracia e da harmonia entre os poderes. Mas o que significa essa harmonia tão desejada? É a estabilidade política para passar a “boiada” nos direitos, na legislação ambiental, nas terras indígenas, o desmonte das políticas públicas, privatizações, sem afetar a imagem no Brasil lá fora. Enquanto Bolsonaro e sua trupe de lúmpem-burgueses desejam de forma ensandecida atear fogo em todos os direitos, na Amazônia, no Pantanal, nos índios e quilombolas, os banqueiros de Wall Street e da Faria Lima sabem muito bem a explosividade que essas medidas podem trazer nos marcos da situação social do país.

A serviço da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), e da maior parte da burguesia e do imperialismo, o STF (Supremo Tribunal Federal), TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e o Senado têm reagido com mais força para impedir a agitação bolsonarista. Tudo o que querem é a tranquilidade para colocar o torniquete no pescoço da classe trabalhadora impondo a complacência das urnas. Querem um acordo para que Bolsonaro aperte o torniquete nos marcos de um acordo geral, que sobre espaço para todos no botim.

Onde está Lula? E as direções das centrais sindicais? É preciso reforçar a unidade de ação contra Bolsonaro e sua quadrilha

Diante desse cenário, o papel da direção do movimento de massas é fundamental. A divisão da burguesia enfraquece o governo e fortalece objetivamente o movimento de massas, que até agora mostrou força para barrar as aventuras autoritárias de Bolsonaro. Podemos aproveitar para fechar a “porteira da boiada”, impedir o avanço das privatizações, do desmonte do Estado, fortalecer as lutas salariais, o desemprego e a fome, baixar os preços dos combustíveis e energia.

Mas frente a essa realidade, vimos que uma parcela importante das direções do movimento prefere se esconder e abandonar as mobilizações de rua. Cabe aqui algumas perguntas: Onde está Lula? E a direção de grandes centrais sindicais como Força Sindical, UGT e NCST ? Por que desembarcaram da convocação do 7 de Setembro? Onde estão as convocações dos chamados líderes, deputados ou senadores da oposição parlamentar de partidos como PT, PDT, Rede, PCdoB e mesmo uma parcela ligada à direção majoritária do PSOL na construção, convocação e organização dos atos pelo Fora Bolsonaro?

Umas das explicações para a ausência de Lula no engajamento da construção do movimento Fora Bolsonaro e dos atos desse 7 de Setembro é a articulação de alianças de conciliação de classes com setores da burguesia, incluindo do “centrão” (base do governo Bolsonaro), banqueiros e agronegócio, para as eleições de 2022. Lula tem viajado o país para tranquilizar os banqueiros e mostrar que é um porto seguro para a tranquilidade que a burguesia precisa. Daí as reuniões com Sarney, setores do PP, DEM, etc…

O outro lado dessa política é que, para mostrar sua utilidade para a burguesia, Lula, a direção do PT e das centrais querem botar um freio no movimento de massas. Até agora não jogaram nenhum peso para massificar as mobilizações, passeatas e lutas da classe. Tem medo de que a classe trabalhadora possa colocar em xeque os acordos eleitorais para 2022 e cobrar com suas próprias forças a conta do genocídio, da fome, e dos direitos retirados nos últimos anos. Ou seja, questionar os interesses de todos os bandos da burguesia.

Dar tempo ao inimigo é um crime. Bolsonaro e sua quadrilha incentivam atos em defesa da ditadura, financiados por parte do agronegócio, alguns setores do empresariado, uma ala da cúpula das polícias militares e com apoio de pastores evangélicos reacionários e grupos milicianos. Contra essa gente é preciso fortalecer a ampla unidade da Campanha Nacional Fora Bolsonaro, que já foi capaz de botar centenas de milhares nas ruas no último período. É preciso buscar levar essa campanha e a mobilização aos bairros, fábricas, e construir uma greve geral para botar abaixo esse governo e sua escalada autoritária. Precisamos de toda concentração e força nesse chamado.

Dia 7 de setembro vamos às ruas, apesar dessas direções, afinal, enquanto Bolsonaro atiça sua militância ideológica e ameaça as liberdades democráticas do país, é preciso manter a nossa classe organizada e mobilizada. Por isso, é necessário, desde já, apontarmos um novo dia nacional de mobilização, paralisação e protestos pela Campanha Nacional Fora Bolsonaro.

Ditadura, nunca mais!

A nova geração de brasileiros não pode ser condenada a condições de vida e liberdade ainda piores que a que vivemos hoje. É preciso barrar o genocídio, os ataques aos povos originários, a destruição do meio ambiente, dos direitos e as ameaças às liberdades democráticas conquistadas na luta de nosso povo. É por esses motivos que devemos seguir o fortalecimento das manifestações do #7S pelo Fora Bolsonaro. Simples assim! O que não é simples é ver a omissão dessas direções quanto às nossas manifestações. Isso é vergonhoso!

Toda unidade de ação construída até aqui pela campanha nacional Fora Bolsonaro é de grande importância e, nesse momento, exige uma reação de classe ainda mais forte. De nossa classe com suas entidades e organizações políticas pois, sim, trata-se de enfrentar essa ultradireita que defende o fechamento do regime e está sendo financiada por um setor patronal da indústria e do agronegócio e apoiada por milicianos e  “pastores” evangélicos. São um estorvo, uma corja a ser destruída nas ruas.

Botar pra fora Bolsonaro e Mourão, já, é uma necessidade imediata em defesa da vida, dos direitos e das liberdades democráticas. Por tudo isso é que denunciamos a ausência dessas lideranças no engajamento, construção e convocação para #7S Fora Bolsonaro e os chamamos a corrigir essa rota submissa ao regime ou acordos eleitorais com a burguesia brasileira.

Vamos juntos lotar as ruas nesse 7 de Setembro, fazer ecoar nosso grito Fora Bolsonaro e Ditadura nunca mais!