Da Espanha ao Paquistão, mulheres do mundo todo saíram às ruas nesse 8 de março para protestar contra a opressão e a exploração, defender seus direitos e exigir o fim da desigualdade e da violência machista, além de se solidarizar com as mulheres e o povo ucranianos e exigir o fim da invasão russa ao país.

Não ao machismo e à guerra

Na Espanha, onde as manifestações costumam ser multitudinárias, milhares de pessoas transformaram o centro da capital, Madri, em um mar arroxeado, com cartazes pedindo igualdade e o fim da violência machista, além de dizeres como “Stop Putin” e “Não à guerra”.

Na França, os protestos exigiram o fim da violência doméstica e defenderam uma “verdadeira igualdade profissional e salarial entre mulheres e homens”. Muitos cartazes criticavam o governo Macron pelo que consideram “cinco anos perdidos” na luta contra a desigualdade de gênero. Em Paris, as mulheres leram ainda uma carta das feministas russas, chamando a tomar posição contra a guerra. “O conflito na Ucrânia traz a violência das balas, mas também as violências sexuais”, afirmaram.

Contra a opressão e a exploração

A exigência de direitos trabalhistas e de maternidade também foi o centro das manifestações pelo 8M na Coreia do Sul. Além dos baixos salários pagos às operárias, conjunto em que a maioria são mulheres, e a discriminação em função da maternidade, as sul-coreanas ainda sofrem com a dupla jornada e a sobrecarga doméstica.

No Paquistão, os protestos se concentraram em grandes cidades como Islamabad, Karachi e Lahore, onde as autoridades tentaram, sem sucesso, suspender o evento. O país é considerado um dos mais perigosos do mundo para as mulheres, em que o simples fato de se casar com um homem diferente daquele escolhido pela família é considerado um crime de honra e punido com a morte.

Maré verde e roxa invade a América Latina

Milhares de pessoas também marcharam nas ruas da América Latina para comemorar o Dia Internacional da Mulher e exigir a garantia de seus direitos. Na Argentina, onde um novo acordo com o FMI está sendo debatido no Congresso, um dos principais slogans das manifestações foi “A dívida é conosco”.  Na Costa Rica, as mulheres exigiram o fim da violência e das políticas neoliberais, cujas principais vítimas são as trabalhadoras e pobres.

Em El Salvador, o Coletivo Las Mélidas se manifestou contra a proposta do governo, de revogação da Lei Especial Integral para uma Vida Livre de Violência. No Equador, marcharam por equidade, aborto, justiça e contra as guerras. Na Colômbia, comemoraram a recente conquista pela legalização do aborto.

Brasil

Fora Putin da Ucrânia, Bolsonaro do Brasil e Arthur do Val da Alesp

No Brasil, os atos do 8M foram especialmente marcados pelo Fora Bolsonaro e pelo apoio às mulheres e à resistência ucraniana, bem como pela exigência da cassação do mandato do deputado estadual Arthur do Val por sua fala machista, racista e preconceituosa, que, durante uma viagem à Ucrânia, afirmou em áudios, que as mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”.

Carregando faixas, cartazes e bandeiras, em diversas cidades as mulheres cantaram palavras de ordem contra Bolsonaro (PL), o machismo, o aumento da fome e os retrocessos nos direitos democráticos e sociais das mulheres brasileiras. Os atos também lembraram os quatro anos do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, cujo crime segue sem solução.

Vale destacar que, um dia antes dos atos, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou estudo que aponta que uma mulher é estuprada a cada dez minutos, e uma é vítima de feminicídio a cada sete horas no país. O governo federal, no entanto, reduziu o orçamento para enfrentamento às violências contra as mulheres nos anos, e em 2021 empenhou apenas 43,8% da dotação recebida pela pasta da Mulher, sob comando da extremista Damares Alves.

‘Façam por nós’

Carta da Marcha de Mulheres Ucranianas

Um dos momentos mais emocionantes do 8M deste ano foi a leitura, pela dirigente do Movimento Mulheres em Luta e militante do PSTU Marcela Azevedo, da Carta da Marcha de Mulheres Ucranianas, durante uma intervenção do bloco classista no ato em São Paulo. “Queremos chamar a atenção para a catástrofe humanitária e a situação das mulheres durante a guerra na Ucrânia. Pedimos às mulheres de todo o mundo que se solidarizem em um apelo comum para um fim das hostilidades. Pedimos às mulheres de outros países que saiam às ruas de suas cidades em defesa das mulheres na Ucrânia. NÃO PODEMOS FAZER ISSO, FAÇA POR NÓS!”, dizia a carta.