O 1º de maio é, historicamente, uma data para celebrar a luta da classe trabalhadora. Teve como marco uma grande manifestação realizada em 1886 em Chicago, nos EUA, pela redução da jornada de trabalho para 8h. A brutal repressão policial deixou vários mortos, cujo número nunca foi devidamente apurado.

Em 1890, a II Internacional Socialista aprovou, a partir de uma resolução da Federação Americana do Trabalho, a data como Dia Internacional do Proletariado, em homenagem aos mártires de Chicago e como forma de impulsionar internacionalmente a luta da classe.

Numa conjuntura de crise e de decadência do sistema capitalista, aprofundadas pela pandemia que atingiu, sobretudo, a classe trabalhadora e, dentro dela, os setores mais oprimidos, como as mulheres, os negros, LGBTIs, imigrantes etc., torna-se mais necessário que nunca retomar o espírito de Chicago. Desemprego em massa, precarização, inflação e fome são flagelos que atingem a classe em todo o mundo. Por outro lado, a desigualdade cresce de forma brutal. Em 2021, em plena pandemia, o mundo viu aparecerem 26 novos bilionários por hora, enquanto a renda de 99% da população caiu, segundo a Oxfam. Só a riqueza acumulada por Jeff Bezos, fundador da Amazon, daria para ter vacinado todos os 8 bilhões de seres humanos.

A crise, a desigualdade e o avanço da barbárie, que se expressam tanto na pandemia quanto na devastação ambiental, assim como na invasão russa à Ucrânia, mostram a necessidade de se fortalecer a luta independente da classe trabalhadora. A classe só vai resolver seus problemas, melhorar suas condições de vida e acabar com toda a exploração e a opressão através de suas próprias forças. Não ao lado da burguesia e por dentro do capitalismo, mas contra a elite e o sistema.

É necessário apontar a ação independente dos trabalhadores, a ruptura com este sistema capitalista de exploração e a necessidade do socialismo.

Barbárie capitalista avança no Brasil

No Brasil, onde vivemos um franco processo de decadência e recolonização pelo imperialismo, a crise aparece de forma ainda mais explícita. O governo Bolsonaro, expressão desse processo, mandou para a morte centenas de milhares de pessoas durante a pandemia. Mais de 660 mil em números subnotificados. Sua política econômica, por outro lado, tem o objetivo de impor um novo patamar de superexploração, com desemprego em massa, precarização e destruição de direitos. O resultado é fome e miséria.

Tudo isso vem ainda recoberto por um projeto golpista de ditadura. Bolsonaro quer destruir o que resta de direitos, aniquilar os povos originários e o meio ambiente em favor das grandes mineradoras e o agronegócio, e ainda impedir qualquer tipo de resistência.

1º de maio não é dia de abraçar Arthur Lira e Pacheco

CUT e Força Sindical convidam aliado de Bolsonaro

É urgente impulsionar a luta para a derrubada desse governo já. E lutar pela unificação das mobilizações que ocorrem pelo país como resposta à carestia. O 1º de maio é um momento importante para isso. As maiores centrais sindicais, como CUT e Força Sindical, porém, convocaram atos shows para fazer campanha eleitoral em favor da frente amplíssima de Lula e Alckmin, como é o caso do ato nacional chamado para São Paulo. Neste ato, não só convidaram representantes da burguesia, como chegaram a chamar os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), aliados de Bolsonaro. Um verdadeiro desserviço que joga contra a necessidade dos trabalhadores.

Por atos classistas e internacionalistas

A CSP-Conlutas fez um chamado para a realização de atos classistas e internacionalistas pelo país, sem a burguesia ou seus representantes. Se nas manifestações pelo “Fora Bolsonaro” é preciso aglutinar todos os setores que se colocam contra esse governo genocida e em defesa das liberdades democráticas, no 1º de maio, marco histórico do classismo, é um verdadeiro tiro no pé promover atos eleitorais com representantes da direita e, mais do que isso, com nomes do governo de ultradireita.

Neste 1º. de maio vamos às ruas com a classe trabalhadora, a juventude, o movimento popular e os setores oprimidos, por emprego, direitos e aumento geral dos salários! Pela redução dos preços dos alimentos, combustíveis e o gás de cozinha! Por reforma agrária e despejo zero! Por reforma agrária e demarcação das terras indígenas e quilombolas! E em apoio à heroica resistência do povo ucraniano: Fora as tropas de Putin e pelo fim da Otan!