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Ruas e praças esvaziadas deram o tom deste 1º de Maio nas manifestações convocadas pelo país. Os atos de caráter golpista e de defesa da ditadura convocadas pelo bolsonarismo foram um fiasco, apesar da intensa agitação promovida pela extrema-direta nas redes sociais. Bolsonaro tentava subverter o tradicional dia de luta da classe trabalhadora numa campanha contra as liberdades democráticas, a exemplo do 7 de setembro passado.

Na capital federal, apenas um punhado de apoiadores do presidente bateu cartão para ver Bolsonaro. Já em São Paulo, as tomadas aéreas da Avenida Paulista mostraram que não foi muito diferente. Um breve discurso de Bolsonaro foi transmitido, a partir do Palácio do Planalto, num telão instalado na avenida.

Nem a presença do deputado federal de extrema-direta, Daniel Silveira (PTB-RJ), alçado pelo bolsonarismo em ícone na cruzada pela ditadura, encheu as manifestações no estado do Rio de Janeiro. O deputado marcou presença num ato em Niteroi, e depois em Copabacana, ambos esvaziados.

Os atos bolsonaristas seguem a escalada dos discursos e ameaças golpistas, que tentam criar um clima que possibilite, em caso de uma derrota eleitoral, avançar num autogolpe. Ou, no mínimo, jogar confusão no processo para contestar o resultado e manter atiçada a base de extrema-direita. A imagem de Silviera com um sósia do “viking do Capitólio”, um ativista de extrema-direita que “viralizou” durante a invasão do Congresso norte-americano a mando de Trump, é ilustrativo do que essa gente prepara.

Campanha eleitoral de frente Lula/Alckmin

Em São Paulo, as maiores centrais sindicais como CUT, Força Sindical, CTB, UGT, etc., promoveram um 1º de Maio que, longe de retomarem o real sentido da data de luta independente da classe trabalhadora, realizaram um ato de nítido caráter eleitoral em defesa da frente amplíssima envolvendo Lula e setores da burguesia, e até mesmo do governo Bolsonaro. Além de campanha da chapa Lula e Alckmin, as direções das centrais chegaram a convidar para o ato os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ambos líderes do bolsonarismo no Congresso Nacional.

Esvaziado, o ato realizado na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, foi obrigado a atrasar o discurso de Lula por falta de público. O pré-candidato do PT falou próximo ao horário do show de Daniela Mercury para aproveitar parte dos fãs da cantora baiana.

Mais grave que o fracasso de público, porém, é o enorme retrocesso prestado à classe trabalhadora realizando, numa data como esta, um ato eleitoral junto com a burguesia e setores do próprio bolsonarismo.

1º de Maio internacionalista e sem patrões

Combatendo os atos golpistas, e denunciando o desemprego, a carestia e a inflação, chamando sem meias palavras o “Fora Bolsonaro e Mourão, já”, a CSP-Conlutas realizou um 1º de Maio independente, internacionalista e sem patrões e a direita, na capital paulista. A manifestação partiu da Praça Ramos, em frente ao Teatro Municipal, e caminhou até a Praça da República.

Embora sofrendo com o bloqueio da grande mídia, o ato marcou o dia da classe trabalhadora reforçando a necessidade da organização independente da classe para derrotar Bolsonaro e a ultradireita. “É uma afronta que, numa data como esta, Bolsonaro que é responsável pela morte de mais de 600 mil brasileiros esteja agora na Paulista defendendo uma ditadura“, condenou Vera, pré-candidata do PSTU e do Polo Socialista Revolucionário à Presidência.

Vera também criticou o ato das centrais em apoio a Lula e à burguesia. “É também uma afronta que, diante deste governo que condena milhões à miséria, ao desemprego e ao trabalho precário, colocar no mesmo baú os trabalhadores, a burgueisa e a direita, e dizer que a solução para os nossos problemas é votar em Lula e Alckmin“, afirmou, defendendo a organização da classe para derrotra Bolsonaro e a ultradireita.

O ato independente e de classe também prestou solidariedade internacionalista à resistência do povo ucraniano contra as tropas invasoras de Putin.