Ato unitário contra os gastos da Copa iniciam as mobilizações no Rio Grande do Norte

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O que unificou todos, com posições políticas bem divergentes, era a denúncia dos gastos da COPA e a falta de verba para saúde, segurança, educação e transporte, e os gritos de Fora Rosalba

A inauguração do estádio Arena das Dunas marcou o início de uma onda de manifestações populares prevista para acontecer este ano em todo o Brasil. O protesto em Natal, organizado por 16 sindicatos, entre eles os filiados à CSP-CONLUTAS, e partidos políticos de trabalhadores, como PSTU, PSOL, PCR, PCB e POR, contou com a participação de cerca de 500 pessoas.

O protesto impressionou pela unidade, pois entre os manifestantes estavam jovens adeptos das táticas “Black blocs”, mas também representantes dos sindicatos da polícia civil e federal e associações de cabos, soldados, de sargentos e suboficiais.

O que unificou todos, com posições políticas bem divergentes, era a denúncia dos gastos da COPA e a falta de verba para saúde, segurança, educação e transporte, e os gritos de Fora Rosalba.

A concentração começou às 14h, na calçada do shopping Midway Mall. Por volta das 15h, a passeata saiu em direção ao estádio que custou 400 milhões e será palco de somente quatro jogos no Mundial. “Esse protesto é para mostrar que não estamos satisfeitos com o investimento na Copa. Nós queremos dinheiro para saúde, educação e segurança”, disse Djair Oliveira, presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública (Sinpol/RN).

Os manifestantes pertencentes ao Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde-RN) levaram os bonecos da governadora e da presidenta Dilma Rousseff. A diretora do SindSaude, Rosália Fernandes, destacou que entre os objetivos do ato público está a exigência de investimento nos serviços públicos, por exemplo para construção de “hospitais padrão Fifa”.

Os hospitais estaduais, como o Monsenhor Walfredo Gurgel, que tem 2 mil funcionários, está  com vários problemas de estrutura. “Há uma lista diária de 20 a 30 pacientes aguardando leito de UTI. Eles sofrem muito, alguns acabam morrendo. Nós chegamos à situação de ter um técnico de enfermagem cuidando de 30 pacientes. Não consegue cuidar”, ressaltou, “Enquanto isso se gasta quase 2 bilhões em obras para a COPA”, concluiu Rosália.

A passeata seguiu pela avenida Salgado Filho e BR-101. Ao chegar nas proximidades da Arena das Dunas, os manifestantes se depararam com um forte aparato policial com policiais da Rocam e até Policiamento Ambiental fazendo uma espécie de barreira em torno do novo equipamento esportivo. Foram informados que dentro estava a Força Nacional e a Policia Federal. Além de vários infiltrados, facilmente identificáveis, do lado de fora, monitorando os manifestantes.

Houve tumulto no trânsito. As vias da BR-101 ficaram bloqueadas, o que causou engarrafamento na Salgado Filho. Ao final, os manifestantes se concentram na entrada do estádio, com falas dos representantes dos sindicatos.

Porém, com a chegada da comitiva da presidenta, os ânimos se exaltaram. Duas vans, com a comitiva da presidenta,foram apedrejadas por parte dos manifestantes. A polícia bloqueou  o acesso ao estádio. Mas ninguém foi preso.

A presidenta Dilma Rouseff nem passou próximo aos manifestantes e realizou a inauguração, sem público e sem discurso, na triste companhia de Rosalba Ciarlini, que é rejeitada por 90% da população; o presidente da CBF, José Maria Marin, e o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Longe do povo e junto com verdadeiros bandidos.

Isso é só o começo
2014 promete. Natal está na rota das manifestações.  A próxima atividade será sábado, dia 25, às 17h saindo do shopping Via Direta. Nas redes sociais, milhares de pessoas confirmaram presença. A ANEL será uma das organizações que já confirmou presença.  Novas manifestações que devem ocorrer em todo primeiro semestre.

Os trabalhadores da Educação marcaram greve para o dia da volta às aulas, no dia 28, por absoluta falta de condições de trabalho. Os trabalhadores da Saúde e Segurança Pública também se preparam para um ano de luta contra a governadora Rosalba Ciarlini.