Wikileaks, Lula e os EUA

Vazamento de documentos mostra tom conciliador de Lula diante do impérioO vazamento de documento da diplomacia norte-americana, publicados pelo site Wikileaks, não está produzindo apenas constrangimentos para os EUA.

Documentos relatando conversas entre representantes diplomáticos norte-americanos com o então staff do primeiro mandato do governo Lula, afirmam que o país estaria mais perto de Washington do que de Caracas e Havana.

Antes de assumir o primeiro mandato, em 2003, o então presidente eleito e seus assessores deram mostrar de que o futuro governo seria mais alinhado com os EUA, governado na época por George W. Bush.

O assunto de uma primeira reunião entre o então subsecretário de Estado para o Continente, Otto Reich, com Lula, José Dirceu (futuro ministro da casa Civil), Antonio Palocci (da Fazenda) e o senador eleito Aloizio Mercadante, realizada em novembro de 2002, discutiu, entre outros temas, as relações do PT com o Foro de São Paulo e com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Em seu relato do encontro, o diplomata norte-americano disse que não havia interesse do Brasil em se relacionar com as FARC, e que o plano era desempenhar uma diplomacia dura, inclusive com ameaças de retaliação à guerrilha caso atravessassem a fronteira. “As Farc precisam entender que, se cruzarem a fronteira e entrarem no território brasileiro, o governo Lula vai usar força militar e tratá-las como inimigas”, teria dito José Dirceu no encontro.

Já Mercadante teria dito que o Foro de São Paulo era composto por esquerdistas “ultrapassados” que poderiam “aprender com o modelo democrático do PT” . No entanto, logo após a reunião Merdadente teria dito outra coisa para a impensa. “Os americanos sempre jogaram duro, e agora vamos ter um governo que vai jogar tão duro como eles” , disse.

Naquele mesmo dia, Lula recebeu outros convidados, como William “Bill” Rhodes, vice-presidente do Citigroup. J[a na época ficou claro o objetivo do futuro governo: acabar com a as desconfianças dos setor financeiro e dos investidores estrangeiros sobre o futuro governo do PT.

Bill Rhodes, no final da reunião, a considerou como “muito positiva”. “Mas não posso dizer por que foi muito positiva.”, disse o banqueiro que ainda informou que o setor financeiro poderia ajudar Lula a cumprir seu programa de governo. Mas disse que não podia falar como ajudaria. Nem precisava. O tempo se encarregou de responder. Nunca da história desse país os banqueiros lucrariam tanto.

Nas próximas semanas, a presidente eleita Dilma Rousseff vai percorrer o mesmo caminho da equipe de Lula em 2002. Dilma já foi convidada a se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e também com empresários do país. Mas diferente do passado, não nenhum temor com o suposto “anti-imperialismo” do PT. É a vez de Dilma mostra que a confiança é total.