Batalha pelas ruas de Roma

Estudantes marcham pelas ruas de Roma

Leia matéria do PdDAC (seção italiana da LIT_QI) sobre as recentes mobilizações estudantis contra os cortes na Educação “Que nos devolvam o nosso futuro!”: este é o grito de raiva lançado pelas massas de estudantes, universitários, pesquisadores e professores que, neste dias, estão invadindo as ruas das cidades de toda a Itália. De hora em hora, o protesto difundi-se com rapidez, enquanto na Câmara se discute o projeto de lei de Gelmini [Ministra da Educação do governo Berlusconi], sobre a reforma da Universidade. Um protesto que está assumindo cada vez mais o aspecto de um verdadeiro choque frontal, estalando de norte a sul e pondo a dura prova a resistência de um sistema irremediavelmente destinado a cair.

Os estudantes atacam o Senado
O ápice alcançado pela audaz luta levada adiante pelos estudantes contra o projeto de lei Gelmini é representado, indubitavelmente, pela tentativa de um numeroso grupo de estudantes de penetrar pela força no “Palazzo Madama”, sede do Senado da República.
A ação desenvolveu-se depois de uma marcha pelas ruas de Roma, na qual participaram muitos docentes, pesquisadores, universitários e trabalhadores de todo a educação e da universidade pública. Durante o ato, que terminou em frente da Câmara, foram lançados ovos e pedras contra a sede da Conferência dos Reitores das universidades italianas e contra os polícias alinhados da equipe antimotim.

Os estudantes encarregaram-se uma e outra vez de atravessar o cordão policial, enfrentado os “fiéis servidores” da ordem burguesa pelas ruas do centro, entre a Rua do Curso e o Montecitorio (sede da Câmara de Deputados). Finalmente, um grupo de estudantes combativos, ao distanciar-se dos demais manifestante, tentou ocupar o corredor do Senado, mas foi expulso a golpes de pontapé. No fim, o balanço foi de dezenas de estudantes feridos, depois de numerosas cargas da polícia.

De Norte a Sul o protesto não para
Os choques de Roma são apenas a ponta do iceberg de um período de lutas que se abriu com inesperada determinação (na realidade, nós a esperávamos há muito tempo). Nestes dias, em Turim, está em curso a ocupação do Palazzo Nuovo, enquanto em Pisa numerosos estudantes universitários ocuparam as pontes do rio Arno, interrompendo o trânsito regular. Também se realizaram ocupações de coberturas por estudantes e professores em Perugia e Salerno, enquanto em Palermo se ocuparam dezesseis escolas de ensino superior, juntamente com outras faculdades universitárias.

Tudo isto apesar dos ataques de Gelmini, que finge ignorar os protestos, definindo-os de “velhos rituais”, e do ministro do interior Maroni, que assegurou, de hoje em diante, uma mais eficaz rede de segurança (isto é, mais equipes repressivas armadas de cassetetes). O Presidente do Senado, claramente atemorizado pela sublevação estudantil, falou de “agressão maldosa”, encobrindo as contínuas violências das forças de ordem.

Apesar de o sistema mediático, instrumento de incrível eficácia nas mãos dos patrões, dar inclusive pouca visibilidade a essas lutas cada vez mais pujantes, estudantes e trabalhadores demonstraram claramente que querem continuar esse caminho, combatendo sem se renderem às intimidações que seguem sendo feitas pelo governo e pelos poderes do Estado.

Organizar as lutas contra os cortes do capitalismo
O Partido de Alternativa Comunista apoia e impulsiona os protestos dos estudantes e pesquisadores. Estas lutas, em vias de expansão, são sem dúvida um dado alentador. Mas também é preciso analisar objetivamente a situação atual. Uma situação que, de qualquer modo, certifica uma grande fragmentação e um espontaneísmo que, com o tempo, se revelarão nocivos para as próprias causas pelas quais os estudantes e os trabalhadores estão a lutar.

Com efeito, a história mostrou-nos que sem uma guia que organize e unifique as diferentes lutas levadas a cabo neste período, cada revolta estará destinada a perder-se, engrossando o caldo para as contrarreformas do regime com que os empresários e os banqueiros estão fazendo para que as classes exploradas paguem a sua crise.

Esta guia tem de ser um partido revolucionário, um partido que seja o impulsionador de uma oposição frontal ao sistema capitalista em dissolução. Um partido que temos de construir para unificar todos os gritos, toda a raiva que está a reavivar os operários, estudantes, docentes, pesquisadores, imigrantes, precários de cada setor laboral. Um partido para poder varrer definitivamente toda a podridão produzida pela crise do capitalismo: o partido da revolução socialista.

*Membro dos coletivos de estudantes de ensino secundário na luta contra os cortes

Tradução: Renata Cambra