Violência policial não barra mobilização de educadores no Rio

Foi uma manifestação pacífica a que cruzou o ensolarado dia carioca nesta terça-feira, 8 de setembro. Os profissionais da educação pública estadual do Rio de Janeiro entraram em greve e protestavam contra os ataques do governador Sérgio Cabral (PMDB) à categoria e à educação.

Faixas de protesto, algumas bem humoradas como a que trazia um gigantesco olho avisando aos deputados: “estou de olho em você”. Bandeiras do Sindicato dos Profissionais do Ensino Público do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel), bandeiras vermelhas de partidos e centrais, algumas do PSTU, muitas das Conlutas, davam um colorido típico das manifestações de trabalhadores.

Nada sinalizava a sanha de sangue que a Polícia Militar carioca demonstraria contra educadores e educadoras. A pistola empunhada em posição de tiro, publicada pelo jornal O Globo em sua página na internet, é uma demonstração brutal do que ocorreu.

Tiros contra as pessoas, bombas, gás lacrimogêneo, sprays de pimenta, todo um arsenal contra professores, professoras e funcionários. Mas as escadarias e o cerco à Alerj foi mantido. Às 20h, 1.500 profissionais mantinham a ocupação das escadarias e realizavam sua assembleia.

O saldo do brutal ataque policial enviado por Cabral foi um repórter fotográfico do jornal O Globo ferido e dez profissionais da educação atendidos em emergências de hospitais. Um deles teve a bolsa escrotal perfurada à bala. Dois trabalhadores foram presos, um deles diretor do Sindipetro-RJ que estava prestando a solidariedade dos petroleiros ao ato dos educadores.

Estes são os feridos graves. Os leves contam-se às centenas. Estilhaços das bombas, balas de raspão (mesmo de borracha), intoxicação por gás pimenta ou lacrimogêneo. Esta é a lição de educação de Cabral e sua PM.

Não por acaso, juntando o presente e o passado onde esta canção ecoou, os trabalhadores entoaram: “Com bomba, sem bomba / A gente ‘tá na rua / Com força redobrada / E a greve continua”. Os trabalhadores da educação não se dobraram no passado e não se dobraram no presente.

É preciso destacar que, apesar do apoio dado ao ato pelos parlamentares do PT e pela CTB (central vinculada ao PCdoB), PT e PCdoB fazem parte do governo de Sergio Cabral, o aliado de Lula.

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