Violência e morte na desocupação em Goiânia

Policiais prenderam toda a coordenação do movimento
CMI

Cerca de vinte e quatro horas após terem sido expulsos pelos moradores, policiais militares retornaram na manhã desta quarta-feira, dia 16, à ocupação Sonho Real, em Goiânia. Por volta das 4 horas da madrugada, cerca de 2.500 homens iniciaram de forma violenta a desocupação do terreno situado no Parque Oeste Industrial. Pelo menos dois moradores morreram e 26 estão internados no Hospital de Urgências de Goiânia, sendo nove em estado grave.

Uma das lideranças da ocupação, Américo Rodrigues, foi preso agora há pouco. Centenas de outras pessoas que resistiram à desocupação foram presas e encaminhadas ao 7º Batalhão da Polícia Militar. Ônibus lotados com os ocupantes detidos deixaram o local. Os policiais estão também destruindo as moradias da ocupação.

Dias de violência
A violência contra a ocupação já havia se iniciado desde sexta-feira. Na madrugada de segunda para terça, a polícia militar atacou a ocupação Sonho Real com bombas de gás lacrimogênio e balas de chumbo de grosso calibre. Os ocupantes responderam à agressão com suas precárias armas de defesa. Dois moradores e um policial foram feridos e atendidos no Hospital de Urgências de Goiânia.

Na madrugada de quinta para sexta-feira, dia 11, várias bombas de gás e tiros de borracha e de chumbo de alto calibre foram disparados contra a ocupação. Uma criança foi atingida por uma bala de “efeito moral“, e vários barracos foram atingidos por projéteis usados para matar.

Todos ao ato às 17h
Durante todo o processo de desocupação e por vários dias em que sofreram pressões psicológicas e ataques policiais, os moradores da ocupação Sonho Real deram um exemplo de resistência. E, após a desocupação, a luta persiste.

Depois dos confrontos, prisões e mortes desta manhã, as famílias de sem-teto e vários lutadores que estão apoiando o movimento estão se mobilizando para realizar um ato às 17h, em frente à Catedral de Goiânia. O protesto também será contra o governador Marconi Perillo (PSDB) e o prefeito Íris Resende (PMDB), que patrocinaram a ação da polícia a favor dos proprietários, que abandonaram o terreno, e devem mais de R$ 3 milhões em impostos.