USP: viva a greve das trabalhadoras terceirizadas!

No último dia 8, os trabalhadores terceirizados (em sua grande maioria mulheres) da empresa Limpadora União, que presta serviços em várias unidades na Universidade de São Paulo, entraram em greve pelo pagamento imediato de seus salários e direitos trabalhistas atrasados. Uma paralisação inédita desse setor na USP.

O movimento enfrentou-se com a empresa, com o descaso da reitoria e com o sindicato atrelado à patronal que o representa legalmente, o Siemaco. Dias depois de uma incansável e bela luta, com a realização de piquetes e atos diários, o movimento conquistou, no dia 18, o pagamento dos salários atrasados. Agora a greve continua para garantir o pagamento dos direitos trabalhistas ligados à rescisão contratual, já que há outra empresa atuando na Universidade.

As mulheres invisíveis usam o lixo como método de luta
A luta dos trabalhadores terceirizados, apoiada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp, filiado à CSP Conlutas), polarizou politicamente a universidade e abriu os olhos da comunidade acadêmica em relação à enorme exploração e às péssimas condições de trabalho no interior da USP. Cotidianamente ignoradas, essas trabalhadoras tornaram visíveis condições de trabalho péssimas, com salários abaixo do mínimo.

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), unidade mais atingida pela greve, foi palco de grandes discussões por conta do lixo revirado nos prédios, e também de uma onda de solidariedade por parte dos estudantes. Desde o início de sua mobilização, as trabalhadoras terceirizadas tiveram como aliados os centros acadêmicos da FFLCH, colocando na pauta do movimento estudantil o debate sobre o papel das terceirizações no projeto de privatização da universidade pública.

Nós do PSTU defendemos, além do pagamento imediato de todos os direitos trabalhistas ainda não cumpridos, o fim de toda forma de terceirização na universidade e incorporação destes trabalhadores ao quadro de funcionários da USP, sem concurso público, para continuar o trabalho que já realizam diariamente.

A organização da greve das terceirizadas foi mais uma expressão da resistência aos ataques do reitor Grandino Rodas. Questionamentos mais profundos à gestão da reitoria e ao projeto de universidade do governo estão surgindo. Os estudantes, inspirados nas terceirizadas, precisam se preparar para as futuras mobilizações, combinando suas pautas específicas com a defesa intransigente de uma universidade pública, de qualidade, democrática e voltada aos interesses da classe trabalhadora. Nesse sentido, essa experiência de luta também deve se fazer refletir em uma grande delegação da USP ao 1º Congresso da Anel.
Post author Aline Klein, Comissão Executiva Estadual da Anel-SP
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