Costa Rica | Umas eleições pouco democráticas

    Publicado originalmente no site da LIT-QI

    Estamos a apenas alguns dias das eleições e o panorama para a classe trabalhadora não é nada alentador. Nós do Partido dos Trabalhadores temos batalhado para colocar nosso programa: uma proposta de independência de classe, socialista e revolucionária. Entretanto, o acesso que temos para divulgar nosso programa ao conjunto da classe trabalhadora é muito limitado.

    Partido dos Trabalhadores – Costa Rica

    A desigualdade  que os partidos políticos  enfrentam nestas eleições, é um dos elementos mais evidentes dos limites da democracia burguesa, porque é justamente isso, a democracia dos ricos. Embora todas as pessoas tenham o direito de votar, e cada pessoa tenha direito a um voto, as circunstâncias nas quais esse voto é exercido são muito diferentes. Em primeiro lugar, embora haja 25 candidatos a classe trabalhadora não recebe nem tem acesso à informação, nem de todos os candidatos nem da mesma forma. Os meios de comunicação não estão obrigados a divulgar da mesma forma as propostas de todos os candidatos, por isso vemos que, embora aconteça de entrevistar a todos, colocam os candidatos  “principais” nos horários de maior assitência. Outras vezes organizam debates e não garantem a participação de todos os candidatos.

    Por outro lado, a classe trabalhadora é bombardeada com outdoors, spots de rádio, spots televisivos desses “principais” candidatos que são os que tem acesso, tudo isto representa centenas de milhões de colones (moeda local, ndt.) gastos na campanha eleitoral. O acesso a este financiamento revela o caráter antidemocrático do sistema eleitoral. Por um lado, vemos grandes empresários financiando as campanhas, como Francisco Javier Quirós (Grupo Purdy / Toyota) que até novembro de 2021 tinha doado 32.8 milhões de colones à campanha do PLP. E Por outro, as contribuições estatais são o que é conhecido como dívida política, onde os partidos recebem depois das eleições um reembolso dependendo dos resultados obtidos, sendo que alguns recebem um adiantamento do TSE. O pior de tudo é que nem sequer todos os partidos recebem o tal reembolso, só os que alcançam uma certa quantidade de votos.

    Dado o exposto, os bancos aproveitam as eleições para obter suculentos lucros e só emprestam aos partidos políticos que lideram as pesquisas, o que faz com que estes sejam os mais conhecidos e assim garantem estar à frente nas eleições.

    Isto é um grave problema democrático, porque afinal o próprio exercício do voto, colocar o X no papel, é apenas a conclusão de um processo, que em todas suas etapas anteriores é gravemente antidemocrático. Não se pode dizer que existe democracia quando não há acesso para expor e debater as ideias, onde as pessoas não podem conhecer em igualdade de condições todas as propostas.

    Apesar desta situação altamente desigual, o Partido dos Trabalhadores vem apresentando um programa socialista e revolucionário para enfrentar a crise do país que tem mais de 23% da população afundada na pobreza. Nossos esforços nos debates que conseguimos participar e os panfletos nas fábricas, centros de trânsito e bairros tem sido fundamentais para oferecer uma alternativa à classe trabalhadora. Todos os demais partidos, embora tenham matizes, na verdade defendem o mesmo, porque defendem o mesmo sistema atual que vem nos empobrecendo.

    Todos os partidos defendem continuar pagando a dívida pública que consome 43%  do orçamento, o que desfinancia a saúde e a educação. Todos defendem a concessão de obras públicas que só tem servido para a corrupção e para sangrar o Estado. Também propõem continuar com os TLCs que pioraram a crise fiscal, além disso propõem continuar com o esquema de que sejam os pobres e trabalhadores os que paguem mais impostos enquanto os ricos continuam evadindo e sem ter que pagar impostos.

    É por isto que o Partido dos Trabalhadores faz um chamado para votar em nossos/as candidatos/as, a única alternativa da classe trabalhadora nas eleições, a única proposta verdadeiramente revolucionária que propõe virar tudo, e que seja a classe trabalhadora quem governe. No entanto, para além das eleições, independentemente do resultado, fazemos um chamado para que se somem às nossas fileiras, para continuar lutando dia a dia contra o capitalismo, fazemos um chamado à rebelião, o único caminho que a classe trabalhadora tem para conquistar o poder político.

    Editorial de Socialismo Hoy – Janeiro 2022 – N°122 Ano XV

    Tradução: Lilian Enck