Uma vitória política e eleitoral

PSTU sai fortalecido das eleições e com mais influência políticaEUCLIDES DE AGRELA,
da Redação

``ZéNão se trata apenas de um resultado vitorioso em termos eleitorais, pois duplicamos os votos em Zé Maria para Presidência da República: foram mais de 400 mil votos – o que eqüivale a 0,5% do eleitorado – contra os 200 mil de 1998. No Estado de São Paulo, por exemplo, a votação de Zé Maria foi quadruplicada. Mais ainda, tivemos índices perto de 1% em várias cidades importantes: São Paulo, 0,7%; Rio de Janeiro, 0,9%; Florianópolis, 1%; São José dos Campos,1,3%.
O voto no PSTU foi um voto de protesto contra a fome, a miséria e o desemprego: heranças de oito anos de um governo que aplicou integralmente a cartilha dos planos neoliberais. Porém, o voto no PSTU foi mais do que isso.
Foi o voto num programa e numa política que tiveram a coragem de dizer a verdade aos trabalhadores. Mas nossa vitória se dá, acima de tudo, porque conseguimos fazer da campanha e das candidaturas, independente do número de votos, um ponto de apoio para a conscientização, organização e luta independente dos trabalhadores e do povo.

UMA CAMPANHA CONTRA O IMPERIALISMO, PARA ROMPER COM A ALCA E O FMI,

Fomos na prática o único partido da esquerda brasileira que fez do Plebiscito sobre a Alca uma prioridade. Os 10 milhões de votos contra a Alca são para nós tão ou mais importantes que os 400 mil votos recebidos por Zé Maria para a Presidência.
Na semana de 1 a 7 de setembro, estivemos presentes nos sindicatos, locais de trabalho, escolas, universidades, bairros e paróquias de todo o país junto com os companheiros do MST, do movimento popular e das pastorais sociais da Igreja organizando o Plebiscito. Todos os nossos programas de TV faziam referência à campanha contra a Alca. Em todos os atos contra a Alca, desde o Fórum Social Mundial até a entrega dos resultados, nos dias 17 e 18 de setembro, em Brasília, tremulavam nossas bandeiras.

QUE ENFRENTOU O GOVERNO FHC E A DEMOCRACIA DOS RICOS,
Durante a campanha eleitoral, denunciamos o governo FHC e os planos neoliberais como os grandes responsáveis pela fome e a miséria do nosso povo: 12 milhões de desempregados, salários sem reajuste, aumento do custo de vida, cortes dos gastos com as áreas sociais, privatizações, ataques às conquistas trabalhistas… Tudo isso para beneficiar os grandes banqueiros e empresários.
Outra marca da campanha eleitoral do PSTU foi a denúncia da democracia dos ricos. Mostramos que este mesmo regime é controlado pelos partidos burgueses, com suas campanhas milionárias financiadas por banqueiros, empresários e latifundiários e existe de fato um processo eleitoral antidemocrático no qual, por exemplo, a imprensa e mídia privilegiam as candidaturas enquadradas no status quo, comprometidas com o FMI, a Alca e os contratos com o mercado financeiro. Essas eram tratadas pela mídia não somente como as “principais” mas, muitas vezes, como as únicas.

QUE SE DIFERENCIOU RADICALMENTE DO PT E DA CANDIDATURA DE LULA
Enquanto a campanha eleitoral do PT e de Lula ignorava o Plebiscito e se retirava oficialmente da campanha contra a Alca, o PSTU esteve na linha de frente do Plebiscito.
Denunciamos a coligação com o PL de José Alencar, de Medeiros e da Igreja Universal, que enterrou de uma vez por todas qualquer vestígio de independência de classe no PT.
Ao contrário do PT e de Lula, que defenderam os “contratos” com o mercado financeiro, o novo acordo com o FMI e os pilares da “estabilidade” neoliberal fundada na miséria do nosso povo, dissemos que não é possível gerar milhões de empregos, aumentar os salários e garantir investimentos nas áreas sociais sem romper com a Alca e o FMI, deixar de pagar a dívida pública aos grandes banqueiros e atacar os lucros dos capitalistas.

E QUE COMBATEU A OPRESSÃO
Nestas eleições, o PSTU preocupou-se em levar sua política e programa para os setores mais explorados e oprimidos da classe trabalhadora. As mulheres, os negros e homossexuais encontraram na bandeira do PSTU a defesa dos seus direitos e reivindicações. Nossa vice-presidente, a companheira Dayse Oliveira – uma mulher negra – e a candidata ao Senado por Minas Gerais, Soraya Menezes – mulher, negra e lésbica – foram duas grandes figuras públicas da campanha do Partido.
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