Uma revolução no Iêmen

Multidões tomaram novamente as ruas da capital do Iêmen, Sanaa, nos últimos dias para exigir a renúncia imediata do presidente Ali Abdullah Saleh, depois que os líderes árabes também pediram para que ele saísse sob um plano do Conselho de Cooperação do Golfo.

Saleh, que está no poder há 32 anos inicialmente se comprometeu a ficar no poder mas a não procurar um novo período de mandato para além de 2013.

Robert Gates, Secretário da Defesa dos EUA, disse que a substituição de Saleh por um líder fraco representaria um “problema real” para os EUA. Isso porque ele é o mais ativo e agressivo governante contra a Al-Qaeda na Península Arábica. Mas os manifestantes e ativistas anti-governo querem que ele se demita já e rejeitaram a proposta.

Agora os líderes árabes do CCG propuseram que Saleh deixe o poder. Após a formação de um governo de unidade nacional, o poder iria para as mãos de Abdrabuh Mansur Hadi, o vice-presidente. Este governo de unidade nacional seria composto por 50% de membros do partido do governo, 40% pela oposição, e 10% por outros partidos.

Mas os manifestantes rejeitaram novamente a proposta. A Juventude Revolta, um grupo que organiza os protestos emitiu um comunicado rejeitando a iniciativa, dizendo que quer “a expulsão imediata de Saleh”, e “não prevê salvaguardas para ele, sua família e seus assessores, que são todos assassinos”.

Os confrontos se alastraram entre as forças de segurança e manifestantes anti-Saleh, com médicos e testemunhas relatando pessoas mortas, incluindo um transeunte e um policial.

Saleh, que está no poder desde 1978, tem enfrentado protestos desde o final de janeiro que custaram mais de 130 vidas.

A geopolítica do Iêmen
Em 22 de maio de 1990 foi criada a República do Iémen, resultando da unificação entre a República Árabe do Iémen (Iémen do Norte) e a República Democrática do Iémen (Iémen do Sul).

A República Árabe do Iémen tornou-se independente do Império Otomano em Novembro de 1918 e a República Democrática do Iémen alcançou a independência do Reino Unido em 30 de Novembro de 1967. A ilha de Socotorá, na entrada do golfo de Áden, foi incorporada ao território iemenita em 1967.

Em 2009, o Yemem tinha uma população de aproximadamente 24 milhões. Yemem quase não tem petróleo, quando comparado com a Arábia Saudita. Mas fica na boca de entrada do Canal de Suez.

Os campos de petróleo do Yemem estão localizados nas sub-bacias sedimentares de Marib (Ma´Rib-Al Jawf Basin) e de Shabwa (Shabwah Basin) da bacia de Marib – Shabwa, situada a oeste da bacia de Sir-Sayun (Masila-Jeza Basin) que também contém outros campos de petróleo.

Em 2008, a produção de petróleo do Yemem foi de 402 mil barris por dia. Houve queda de 8,32% entre 2004 e 2008. De 438,5 mil barris por dia em 2004 foram para 402 mil barris por dia, em 2008. O Yemem exporta 80% do petróleo que produz.

O país contava com uma reserva total de 5,3 bilhões de barris de petróleo bruto. Deste total foram descobertos 4,8 bilhões de barris e gastos, 2,0 bilhões de barris.

O imperialismo quer um acordo
Como o coronel Kadafi, Ali Abdullah Saleh – o monarca do Yemem – tem assassinado seu próprio povo. A repressão da ditadura Saleh já deixou dezenas de mortos só nestes últimos dias.

Como os demais governos do Norte da África e do Oriente Médio, o governo de Ali Abdullah Saleh nunca forneceu ao povo yemenita serviços essenciais provenientes dos lucros petróleo. Com este dinheiro Saleh compra tanques e armas e paga franco-atiradores para usá-los contra seu próprio povo.

Os Estados Unidos abastecem Saleh de armamentos bélicos e treinam táticas de ataques militares as tropas do monarca. Saleh é um dos principais aliados dos Estados Unidos na “guerra ao terrorismo” e o Departamento de Defesa dos EUA já anunciou planos de aumento de US$ 70 milhões para US$ 150 de ajuda militar para Saleh.

O governo dos Estados Unidos deveria ser julgado e condenado por crimes de guerra contra a humanidade por fornecer armas a estes ditadores.

Com a revolução árabe chegando ao Golfo Pérsico, os Estados Unidos buscam uma saída pacífica para a crise política do regime ditatorial. Aconselham Saleh a atender as exigências do povo iemenita, extremamente carente e insatisfeito com o regime, para que seja restaurada a estabilidade.

A maior preocupação do governo Barack Obama é com a possibilidade de que a agitação revolucionária chegue à Arábia Saudita e bloqueie a exportação do petróleo para os Estados Unidos.

A Arábia Saudita possui um quinto da reserva total de petróleo bruto do mundo e mantém a maior capacidade de extração do planeta. É o maior exportador de petróleo bruto e mantém cheios os estoques dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

A polarização no sul do país
A Secretaria de Estado dos Estados Unidos – Hillary Clinton – esteve no Yemen no mês de janeiro, preocupada com supostas “bases de terroristas”, uma preocupação para os Estados Unidos. Informes governamentais afirmam que a Al Qaeda esta instalada no país e que representa ameaça maior para os Estados Unidos do que o grupo de Osama Bin Laden no Paquistão.

Isso explicaria porque as tropas entraram em confronto com combatentes no sul do país. O Exército tentou desalojar grupos armados que tomaram o controle de vários edifícios importantes, incluindo uma fábrica de munições na cidade de Jaar, na província de Abyan.

A província é considerada um reduto da Al-Qaeda na Península Arábica. O Iêmen é uma bomba relógio e esta a beira da guerra civil.

Mais dor de cabeça para o imperialismo norte-americano e para Israel.