Fortaleza: operários em greve mostram disposição e avançam na organização

Há uma semana começou a greve da construção civil de Fortaleza. A parada para a Semana Santa era uma aposta da patronal para esfriar a greve. O que eles não esperavam era uma segunda-feira com força total como foi a desse dia 24. Canteiros da periferia, beira-mar e centro tiveram obras paralisadas pelos operários, que se deslocaram para a Praça Portugal, local onde ocorrem as assembleias.

Nem a campanha mentirosa do sindicato dos patrões de querer passar sua vontade como decisão judicial funcionou. Os trabalhadores foram bombardeados durante todo fim de semana com a notícia de que a Justiça tinha decretado a greve abusiva e ilegal. Na dúvida, os trabalhadores voltaram aos canteiros nessa segunda para saber a posição do sindicato. A notícia que a greve continua espalhou-se como rastilho de pólvora e ganhou os quatro cantos da cidade.

Surge comando de greve pela base
Muitos ativistas honestos pensam que o que divide os revolucionários dos reformistas e pelegos é a quantidade de greves que se faz. Esse critério não demonstra bem as diferenças de concepção e estratégia a fundo. A história tem diversos exemplos de sindicatos dirigidos por reformistas e que fizeram muita luta. Até mesmo os pelegos lutam para manter seus privilégios e postos.

Porém, a cláusula pétrea da democracia operária é um divisor de água. O princípio de que a base decide e que ela deve conduzir sua própria luta é um grande ensinamento do marxismo revolucionário. Não é à toa que, para o velho Marx, a libertação dos trabalhadores será protagonizada pelos próprios trabalhadores. Para nós revolucionários a democracia operária se confunde com a estratégia socialista.

Nesse sentido, a greve de Fortaleza nos deu um grande exemplo. Hoje se formou o comando de greve pela base. Durante todo o processo de luta, será esse comando que debaterá e apontará encaminhamentos para conduzir o dia-dia da luta. O comando é formado por operários de diversas gerações, experientes ou não, mas que nessa greve estão sendo a ponta da lança.

Enquanto em Jirau, Pecém e Suape, os trabalhadores se enfrentaram com as direções burocráticas, em Fortaleza a base encontrou uma direção revolucionária que sabe que sem sua participação a greve não pode ser vitoriosa.