Um país dividido

Mais de 20 mil pessoas estão acampadas na maior praça da capital, exigindo recontagem dos votosO México está mergulhado numa profunda crise política. Desde as eleições para a presidência do país, realizadas no dia 2 de julho, várias manifestações pedem a recontagem dos votos. O Instituto Federal Eleitoral (IFE) – órgão responsável pelas eleições – anunciou que o candidato presidencial “mais votado” foi Felipe Calderón, do Partido da Ação Nacional (PAN), da direita tradicional. Com esse resultado, Andrés Manuel López Obrador, candidato do partido da Revolução Democrática (PRD), teria perdido as eleições pela diferença de apenas 0,57%, ou pouco mais de 236 mil votos.

Vários elementos indicam a ocorrência de fraudes durante o pleito. Obrador não aceitou o resultado e chamou protestos exigindo a recontagem. Uma pesquisa do jornal El Universal mostra que 35% dos mexicanos concordam com Obrador e acham que houve fraude.

Os protestos vêm se radicalizando. Desde 30 de julho, Obrador está acampado em Zócalo, a maior praça da capital. Também estão na praça mais de 20 mil pessoas, que bloquearam treze quilômetros da principal avenida da cidade. O comando da campanha anunciou que mais estradas e prédios públicos serão bloqueados. Já houve confrontos com os manifestantes, e o atual governo de Vicente Fox ameaçou utilizar as tropas do exército contra os manifestantes.

Mesmo com a radicalização dos protestos, o Tribunal Federal Eleitoral (Trife) rejeitou o pedido de recontagem total dos votos. Determinou a recontagem de quase 12 mil urnas em que o PRD apontou irregularidades. Mas até agora o resultado não foi anunciado e os manifestantes seguem exigindo a recontagem total dos votos.
Calderón representa a continuidade dos planos neoliberais implementados pelo governo Fox. Por outro lado, Obrador, durante a sua campanha, não propôs nenhuma ruptura com o atual modelo. Pelo contrário, assegurou que não iria “desestabilizar” a economia do país.

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