Um congresso de lutadores

Trabalhadores que se mobilizaram no primeiro semestre se encontraramO congresso da Conlutas reuniu milhares de trabalhadores que lotaram o ginásio Divino Braga, um dos maiores do país. Reuniu diversas categorias e ativistas, entre elas os trabalhadores que protagonizaram importantes lutas neste primeiro semestre.

Trabalhadores como os operários da construção civil de Fortaleza (CE), que realizaram uma forte e radicalizada greve que ganhou repercussão nacional. Ou como os metalúrgicos de São José dos Campos (SP) que derrotaram, recentemente, uma ofensiva da General Motors para impor o banco de horas na planta da cidade. Funcionários dos Correios, em greve nacional, também participaram do congresso, assim como estudantes que ocuparam a reitoria da UnB e derrubaram o reitor.

Marcaram também forte presença os movimentos de luta contra o racismo e a opressão de várias partes do país. Ao todo, 2.805 delegados foram credenciados, 440 observadores e 71 convidados. Estavam representados 175 sindicatos num total de 500 entidades, entre estudantis e de movimentos sociais e populares de todas as regiões.

Avançar na unidade
A necessidade do fortalecimento da Conlutas esteve expressa desde o início do congresso. “Precisamos ir além da experiência da classe trabalhadora que tivemos até hoje e avançar na defesa dos trabalhadores”, afirmou José Maria de Almeida durante a abertura do evento. Assim como a necessidade de se avançar na unidade dos lutadores. “Para isso, precisamos da unidade de todos os que lutam contra os ataques do capital e é necessário definir passos concretos para avançar nessa unificação”, completou.

A mesa da abertura mostrou essa preocupação. A Intersindical foi convidada a participar do congresso. “Apesar das diferenças e divergências que naturalmente há entre nós, todos aqui têm enfrentado os ataques do capital”, afirmou Lujan Miranda, representante da Intersindical durante a abertura. Édson Carneiro, o Índio, da Intersindical, também foi convidado e esteve na abertura.

Democracia
Mais do que traçar os eixos das lutas nos próximos períodos, o congresso retomou os princípios de independência e democracia, há muito abandonados pela CUT. Foram inscritas nada menos do que 20 teses, todas publicadas na íntegra aos participantes. Todas, independentemente do peso das correntes que as assinavam, tiveram o mesmo tempo de defesa.

Entre os debates, muitas polêmicas. Se, por exemplo, a Conlutas deve ser uma central apenas sindical ou continuar aglutinando setores dos movimentos sociais e populares. Ou se a Conlutas deve ou não continuar chamando a unificação com a Intersindical.

Atnágoras Lopes, do Sindicato da Construção Civil de Belém (PA) defendeu o fortalecimento da Conlutas, o esforço pela unidade com outros setores combativos e a estratégia socialista. Atnágoras defendia a tese “Avançar na consolidação da Conlutas: classista, democrática, pela base e socialista!”, assinada por entidades combativas, como a Federação dos Metalúrgicos de Minas Gerais e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP).

Em uma fala que emocionou os delegados, ele conclamou a luta pela revolução e o socialismo. “Falar de socialismo ou revolução não está descolado da luta concreta”, afirmou, dizendo ainda que lá estava a geração “que acredita e que vai fazer a revolução”.

Vitória
A plenária final começou cedo para dar conta de tantos temas. De conjuntura internacional passando pelas questões nacionais até problemas organizativos. Ao final, a expressão de alegria nos rostos dos ativistas superava o cansaço. Os delegados aprovaram questões importantes, como a estratégia socialista para a Conlutas, seu caráter sindical e popular, um plano de lutas, além de avançar no chamado à unidade. “Tivemos muito trabalho e estamos cansados, porém muito felizes. A Conlutas sai fortalecida e revigorada. Todos juntos, Conlutas e Intersindical, vamos lutar contra esse governo”, resumiu Zé Maria.
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