Um “clássico” da homofobia

Espetáculo em campo infelizmente não se repetiu nas torcidas

O clássico de futebol disputado no último domingo, 9 de março, entre Corinthians e São Paulo, como não poderia deixar de ser, ocupou a pauta dos jornais e noticiários durante a semana.

As manchetes falavam sobre a quebra do tabu sãopaulino, que não vencia um clássico desde mais de um ano, sobre o desempenho dos atletas dos dois times, sobre a expulsão de Mano Menezes, os esquemas táticos montados, as substituições, etc.

Nada mais justo, afinal este confronto está talvez entre os clássicos de maior rivalidade do país e, sem dúvida, entre os mais importantes do estado de São Paulo. E também porque foi um belo jogo, com 5 gols e os dois times jogando para frente o tempo todo.

Mas, infelizmente, houve outro fato que acabou marcando o jogo, embora tenha sido completamente ignorado pela mídia: o jogo do domingo em São Paulo foi o clássico da homofobia.

Ôôôôôôôôôôôô…. Bicha!!!”

Este foi o grito que vinha das arquibancadas do Pacaembu em praticamente todas as vezes que o goleiro sãopaulino, Rogério Ceni, cobrava os tiros de meta. Os torcedores do Corinthians, ou pelo menos uma parte considerável deles, fizeram das arquibancadas do jogo de domingo um grande palco para as mais diversas demonstrações homofóbicas.

Todas as músicas das arquibancadas tiveram suas letras mudadas em função disso. Então “Vamos Corinthians/ Esse jogo/ Teremos que ganhar” virou “Vamos Corinthians/ Dessas bichas/ Teremos que ganhar”.

Isso podia ser ouvido claramente e sem nenhum esforço na transmissão da TV. O narrador e os comentaristas não tocaram no assunto, assim como a maioria dos jornais e programas esportivos.  Talvez porque isso seja enxergado somente como brincadeira ou provocação ao rival, coisa normal no futebol.

Mas, na verdade, as brincadeiras e piadas são justamente a expressão cotidiana mais comum da ideologia homofóbica disseminada em nossa sociedade. Por isso, é normal que milhares de torcedores possam passar os 90 minutos de uma partida de futebol xingando e inferiorizando outras pessoas com orientação sexual diferente da heterossexual. Não é um problema da torcida do . Também é por isso que o Brasil é o país que mais mata homossexuais em todo o mundo.

Isso tudo para coroar um período em que também tivemos casos de racismo vindos da arquibancada, como no caso dos jogadores Tinga, do Cruzeiro e Arouca, do Santos, e do juiz Márcio Chagas.

Nós do PSTU estamos contra qualquer forma de opressão  em qualquer que seja a circunstância. Essas ideologias só servem para dividir e enfraquecer a nossa classe. Somos todos parte de uma só classe, a classe trabalhadora e a nossa luta cotidiana deve se dar contra a burguesia que nos explora e oprime. Lutaremos sempre para que os gritos homofóbicos, racistas e machistas não sejam mais ouvidos nas arquibancadas ou em qualquer outro lugar.