Três dias de luta contra Obama

Rio de Janeiro viveu uma jornada histórica, contra a visita e a repressão policialA mídia, empresários e o governo Dilma não cansaram de tentar transformar a vinda de Obama em uma festa. Mas não demorou para ele demonstrar suas verdadeiras intenções: impor acordos que favorecem as multinacionais, como o Tratado de Cooperação Econômica e Comercial – TECA (na sigla em inglês) e a participação na extração do Pré-sal. (leia na página 9)
O desafio era romper com um falso consenso: o mito de que Obama era bem-vindo pelo povo brasileiro.

Organizações como CSP-Conlutas, Anel, sindicatos e o PSTU prepararam atos, e, com cartazes e faixas, deram início a uma campanha para repudiar a visita do presidente norte-americano.

A CSP-Conlutas convocou uma plenária aberta para organizar um protesto. Ali foi chamada uma nova plenária, mais ampla, para organizar dois atos: um na sexta-feira e outro no domingo, dia da visita.

Cenas de guerra
Centenas de ativistas compareceram no protesto da sexta-feira em repúdio ao novo senhor da guerra. Após horas de negociação com a polícia, a passeata seguiu de forma pacífica em direção ao Consulado dos Estados Unidos. Era visível o apoio da população na Avenida Rio Branco, principal da cidade, demonstrando que a campanha contra Obama crescia e incomodava.

Cumprindo seu papel de serviçal ao imperialismo, Sergio Cabral (PMDB), aproveitando uma ação de provocadores, ordenou um verdadeiro massacre contra um protesto pacífico. Bombas e tiros de balas de borracha foram lançados em crianças, idosos e estudantes. Não satisfeito, ordenou a prisão aleatória de pessoas. Treze manifestantes foram presos, inclusive um menor de idade e uma senhora de 67 anos.

Primeiros presos políticos do governo Dilma
Imagens comprovam que, após revista, nada foi encontrado com os presos que pudesse justificar a prisão. Estava comprovado que se tratava de uma prisão política. Mas essa ação arbitrária não ficou sem resposta, e gerou forte indignação em setores organizados, desencadeando uma campanha internacional pela imediata libertação dos presos. Mais de sete mil pessoas apoiaram o abaixo-assinado, entidades fizeram moções de apoio, recebemos a solidariedade de outras organizações, de parlamentares, de juristas, além de ativistas de diversas correntes do país. Todos manifestaram indignação com o autoritarismo e submissão dos governos.

20 de março: Go Home!
No dia em que se completavam oito anos de ocupação do Iraque pelos EUA, centenas de ativistas, familiares e amigos se reuniram no Largo do Machado, atendendo ao chamado de CSP-Conlutas, Anel, PSTU e vários sindicatos.

As centenas de pessoas se deslocaram até o bairro da Glória, onde ocorria outro ato de protesto à visita de Obama. Os atos se unificaram e seguiram até as ruas próximas à Cinelândia, onde Obama discursaria. A unificação fortaleceu a denúncia contra o saque dos recursos naturais e pela libertação dos presos.

“Nos protestos que têm feito nestes dias, vocês têm demonstrado que o apoio à vinda de Obama não é uma unanimidade. Vocês mostraram ao país e ao mundo que há motivos para protestar”, discursou Zé Maria, pelo PSTU.

Na tarde do dia 21, os manifestantes voltaram a Cinelândia, para lavar as escadarias do Theatro Municipal, para “apagar a presença de Obama” do Rio.

Emoção e solidariedade
Após a negativa do pedido de revogação da prisão no sábado, 19, os advogados dos presos políticos pedem o habeas corpus às 22h de domingo. Comprovando o caráter político, na segunda, uma hora após Obama deixar o Brasil, a Justiça decidiu liberar os presos.

Após horas de expectativa na porta dos presídios, os presos foram libertados. Primeiro saíram as companheiras e José Eduardo, advogado, que também estava preso em Bangu 8. Depois foi a vez dos companheiros do presídio Ary Franco (Água Santa).
Em um momento de grande emoção, reencontraram do lado de fora familiares, amigos e dezenas de militantes. Cansados, de cabelos raspados, mas fortalecidos pela campanha, vários reafirmaram, na porta do presídio, a necessidade da luta contra a exploração, o imperialismo e a falta de democracia.

A luta contra a criminalização dos lutadores não vai parar. Uma entrevista coletiva com a imprensa foi realizada, com a finalidade de exigir o arquivamento imediato do processo, e que nunca mais se pratique atos contra a liberdade de expressão.
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