Trabalhadores do Paraguai fundam nova Central Sindical independente e internacionalista

No último dia 20 de novembro, no Clube dos Empregados do Ministério da Fazenda do Paraguai, foi fundada a CCT (Confederação da Classe Trabalhadora), uma nova central sindical. A CSP-CONLUTAS esteve presente representada pelo membro da Secretaria Executiva Nacional Atnágoras Lopes.

“Essa é uma vitória importantíssima para a classe trabalhadora paraguaia e para o processo de reorganização de nossa classe na América Latina, isto porque é necessário apostar na democracia operária, na construção de um sindicalismo que resgate da independência política e financeira frente e estado e aos patrões e tenha como sua prioridade a ação direta dos trabalhadores. E esses são os compromissos que aqui nascem e essa é a tarefas dos companheiros de hoje em diante, é isso que os trabalhadores esperam e quanto isso não se pode errar”, falou Atnágoras ao saudar o congresso.

A fundação desta Central é o resultado de mais de três anos de lutas e resistências de parcela da classe trabalhadora paraguaia contra os ataques do governo de Fernando Lugo. Durante todo esse período, as entidades organizadas pela MCS (Mesa Coordenadora Sindical), realizaram diversas manifestações, movendo centenas e, por vezes, milhares de ativistas. Foram lutas contra o aumento da jornada de trabalho imposto ao funcionalismo, contra o estádio de sítio decretado no país, contra as demissões e apoio a heróica greve dos metalúrgicos da ACEPAR (estatal privatizada), contra o acordo bilateral entre Paraguai e Brasil que garante a existência e funcionamento da usina de Itaipú, dentre outras.

“No momento da votação de fundação da CCT era possível perceber a emoção dos participantes”, comentou o representante da CSP-Conlutas também emocionado.

Estavam presentes 180 ativistas, vindos de 33 sindicatos, 4 movimentos populares e duas federações. São trabalhadores do Ministério da Fazenda, vigilantes, marítimos, Ministério da Saúde, metalúrgicos, docentes da Universidade Católica, jornalistas, movimento de luta moradia, trabalhadores de cooperativas rurais e representantes de outras categorias.

“A CCT nasce como uma alternativa de direção para o movimento de massas do Paraguai, assim como hoje no Brasil construímos a CSP-CONLUTAS. Alías, parte dos estatutos, inclusive, foi baseado em nossa experiência”, ressalta Atnágoras, que acredita que os motivos da criação da nova central também são parecidos com os daqui. “Lá os trabalhadores enfrentam, Lugo, um governo de frente popular que tem sobre seu total controle as velhas direções do movimento como CUT, CUT-Autentica e CGT, centrais que além de suas histórias de corrupção fazem hoje parte, diretamente, deste governo”, menciona.

O congresso debateu estatutos, programa, princípios, plano de lutas e elegeu sua direção proclamando presidente o ativista e professo Júlio Lopez.