Trabalhadores do cimento deflagram campanha unificada

Operários se mobilizam e exigem reajuste real da gigante VotorantimA Votorantim é uma das maiores empresas do país. Seus lucros têm aumentado a cada ano, enquanto os trabalhadores sofrem com salários arrochados e direitos trabalhistas ameaçados.

Já estamos no final de novembro e até o momento a empresa não fechou o acordo coletivo de trabalho da categoria. Insiste em apresentar somente o índice do INPC (6,17%) como reajuste, não atendendo a exigência de aumento real de 3%.

A postura da empresa levou a que algo inédito acontecesse. Pela primeira vez, os 16 sindicatos dos trabalhadores do cimento existentes no país realizaram uma campanha salarial unificada. Seguindo o exemplo da Vale, a Votorantim fecha acordos coletivos por unidades empresariais, o que tem levado a distorções salariais e nos benefícios da empresa.

No dia 21 de novembro, aconteceu na cidade de São Paulo uma reunião entre os 16 sindicatos que deliberou por uma pauta única e um calendário de mobilização unificado. O Sindicagese – Sindicato dos Trabalhadores do Cimento, Cerâmica, Cal e Gesso do Estado de Sergipe, filiado à CONLUTAS, esteve presente nessa reunião.

No dia 28, o Sindicagese, a Conlutas e suas entidades filiadas realizaram um ato público na porta fábrica da Votorantim no município de Laranjeiras (SE). E, no dia 10 de deembro acontece uma mobilização nacional com parada de produção na fábrica de Ribeirão Grande (SP).

Os 16 sindicatos protocolaram um pedido de negociação com a empresa para o dia 11 de dezembro, em São Paulo. A mobilização do dia 10 tem o objetivo de fazer com que a emprese sente e negocie a pauta dos trabalhadores.

A Votorantim no Estado de Sergipe
Depois da Petrobras, as empresas de cimento são as que mais lucram no Estado de Sergipe. São cinco grandes fábricas, com destaque para a Votorantim e Nassau. Os lucros das empresas são enormes, porém as condições de trabalho são péssimas e os salários dos operários baixíssimos.

As fábricas sugam o que podem. Dos lucros obtidos, pouco ou quase nada fica nos municípios onde as fábricas estão instaladas. A mão-de-obra absorvida nas cidades é para ocupar os piores postos de trabalho, em sua maioria precário e terceirizado. Sem falar no desmatamento e na poluição da bacia do Rio Sergipe. A Votorantim é uma das que mais contribui para esse processo.

A mesma Votorantim que não quer conceder o reajuste de 3% no salário e aumentar o valor do tíquete-alimentação é mesma que acabou de comprar o Hotel Fazenda Boa Luz, o hotel fazenda mais luxuoso do Nordeste, para ampliar sua produção no município de Laranjeiras.

A compra do hotel demonstra que a empresa tem dinheiro e que pode conceder a pauta exigida para a categoria. Mas o que se percebe é que ela está preocupada em aumentar sua produção às custas dos salários arrochados e das péssimas condições de trabalho que impõe aos operários.

A empresa utiliza-se da crise econômica para negar o atendimento da pauta de reivindicações. Mas os lucros obtidos pela empresa nos últimos anos são suficientes para atendê-la. O duelo está posto. Nós já temos nosso lado nessa batalha. Estamos com os trabalhadores do cimento.