Tortura imperialista no Iraque: o verdadeiro rosto desta guerra

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O mundo ficou indignado com as imagens das torturas cometidas pelos soldados norte-americanos contra prisioneiros iraquianos, em Abu Ghraib. O conhecimento público desses métodos, denunciados, inclusive, pelo general ianque Antonio Taguba, já teve duas conseqüências imediatas. Uma delas foi revelar o verdadeiro objetivo de domínio colonial da invasão imperialista no Iraque. A outra, foi provocar o aumento da crise política nos países e governos que participam da ocupação, especialmente nos EUA.

A primeira coisa que devemos assinalar é que não se trata de fatos isolados, de “erros ou excessos”, o que vem acontecendo no Iraque. Aliás, essa justificativa já foi cinicamente utilizada pela ditadura militar na Argentina, em 1982.

Esse é um método absolutamente generalizado e planificado pelos invasores. Barry Romo, um ex-tenente da infantaria, combatente no Vietnã e atual membro da organização “Veteranos do Vietnã contra a guerra”, explica, no jornal Socialist Worker, que as tropas norte-americanas são “treinadas para matar e fazer qualquer ação necessária para atingir seus propósitos políticos”. São métodos que não ficam soltos à própria sorte: as torturas seguem o padrão definido por um manual da CIA, escrito em 1983, e empregado pela primeira vez em Honduras contra as forças de esquerda. Suas instruções recomendam torturar e humilhar sexualmente os prisioneiros para “quebrar sua vontade”. E estes são os métodos empregados pelo imperialismo desde o início da guerra. O jornal espanhol El Mundo (13/05/04), informou que as torturas já “haviam começado em 2003 no acampamento de prisioneiros de Camp Bucca sob controle de médicos espanhóis”. Ou seja, o que está sendo publicado é apenas uma parcela das aberrações cometidas pelas tropas imperialistas. O senador republicano Bill Frist, depois de ver as fotos e vídeos, declarou à imprensa: “Há imagens muito mais duras. O pior caso visto até agora, mas multiplicado por 1.000”.

Os mercenários

Para que os métodos de tortura sejam mais efetivos e eficientes, o governo Bush envia ao Iraque verdadeiros especialistas no tema. Quando se empregou pela primeira vez em Honduras o manual da CIA, o embaixador norte-americano, na época, era John Negroponte, que, “casualmente”, acaba de ser designado embaixador no Iraque.

Encarregado da prisão de Abu Grahib está o general Geofrey Miller, ex-comandante da base de Guantanamo, em Cuba, na qual há centenas de prisioneiros afegãos. Miller tem sob suas ordens 70 “agentes especializados em interrogatórios”, ou seja, torturadores profissionais. Mas, para criar um verdadeiro “espírito de corpo”, o general estimula que todos os guardas da prisão participem das torturas, espancamentos e humilhações dos prisioneiros.

Além disso, como se não bastassem os 140 mil soldados invasores e os especialistas em torturas, o Iraque se transformou na Meca dos mercenários (os “cães de guerra”), ex-soldados e ex-agentes especiais de diversos países, contratados por empresas privadas com salários que chegam até 25 mil dólares mensais. Ao todo são cerca de 20 mil e a maior empresa tem o sugestivo nome de Blackwater (Água Negra). A maioria dos mercenários é norte-americana, mas também há britânicos, ex-repressores do apartheid sul-africano e até ex-paramilitares colombianos.

Sua principal tarefa é defender os edifícios, instalações e as direções de empresas ianques que ganharam milionários contratos petroleiros e outras tarefas da “reconstrução” do Iraque. Ao mesmo tempo, colaboram plenamente com as tropas invasoras e sua tarefa repressiva; participaram, inclusive, de interrogatórios em Abu Grahib.

Uma lógica de ferro

A aplicação planificada de torturas massivas não é nenhuma casualidade nem o resultado da “loucura” de Bush ou de seus generais. É resultado da lógica de ferro de toda ocupação militar imperialista. A maioria da população do país se une no ódio aos invasores. As ações militares de resistência e os atentados passam a ter um respaldo de massas, já que contam com a simpatia e a cobertura da maioria da população. Para o exército de ocupação, todo habitante do país (homem, mulher, ancião ou criança) é um inimigo em potencial que precisa ser derrotado, porque não entende que “viemos libertá-los”. No entanto, não há forma de derrotar esse povo sem realizar dois tipos de ações. Por um lado, os massacres nas cidades e em bairros inteiros, como aconteceu recentemente em Fallujah e na cidade el-Sadr. Pelo outro, a tortura generalizada dos prisioneiros para quebrar sua vontade política. É algo que fizeram, no passado, os ianques no Vietnã, os franceses na Argélia, os japoneses na China.

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