Camilo Martin, de São Paulo (SP)

Nesta sexta-feira, dia 28 de maio, acontecerá o leilão do terreno onde se encontra a histórica sede do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Doria e Silvani declararam guerra aos metroviários e querem retirar a sede do Sindicato dos Metroviários em meio à forte campanha salarial contra o ataque aos direitos e o processo de privatização do Metrô, que contou ainda, na semana passada, com uma importante greve denunciando a situação de destruição dos serviços públicos.

O argumento usado pelo governo e a empresa, de que é necessário fazer este leilão para ampliar o caixa, não se sustenta diante dos fatos, a começar pelos supersalários pagos à própria diretoria da empresa. Para se ter uma ideia, 7% dos funcionários correspondem a 30% da folha de pagamentos. Um corte aí poderia, por exemplo, economizar milhões de reais todo mês. Há algumas semanas, Doria injetou mais de 1 bilhão de reais na ViaQuatro – Metrô privado sob controle da CCR – que anuncia lucro recorde no 1 trimestre de mais de 137% (2).

Estes fatos mostram que, por trás dessa justificativa falsa, está uma decisão política, uma declaração de guerra à organização dos trabalhadores para tentar minar sua capacidade de enfrentar e resistir aos ataques do governo e dos capitalistas. Na prática Doria segue os passos de Bolsonaro, atenta contra a organização dos trabalhadores para tentar passar a boiada de ataques contra a nossa classe.

No último dia 07/05 aconteceu uma manifestação que contou com a ampla participação de diversas entidades dos movimento sociais e parlamentares. Estiveram presentes CSP-Conlutas, MTST, CTB, Intersindical, Fenametro, Apeoesp, Sindicato dos Advogados de SP, Sindsef, Sintaema, Sintrajud, Fórum Sindical e Popular, Pastoral Operária, Luta Popular e representantes de diversos partidos como PT, PSTU, PSOL e PCdoB.  Nesse ato foi lançado um movimento amplo em defesa da sede e de denúncia deste ataque arquitetado pelo governo Doria. Além disso foi protocolado um pedido para que o leilão fosse cancelado, mas o mesmo não foi aceito pelo TCE.

Até o momento essas iniciativas não conseguiram sucesso. É preciso apostar em nossas próprias forças e construir uma ampla unidade com movimentos para, na mobilização, defender esta sede que pertence aos metroviários e que é palco de organização de uma série de lutas de toda a nossa classe. Os próximos dias serão decisivos. Precisamos ampliar a denúncia e a organização dessa resistência, para isso é fundamental nos apoiar nos atos de sexta-feira, 28/05, às 14h, em frente ao sindicato e também o dia 29/05.

  1. Metrô paulista gasta 18 milhões por ano com salários acima do teto estadual (redebrasilatual.com.br)
  1. Lucro da CCR dispara 137% no 1º tri com itens extraordinários, mas receitas caem – Money Times