Theresa May deve ir embora já!

 ISL – Liga Socialista Internacional

TUC [central sindical inglesa], não fuja do seu dever, organize uma greve geral!

Que assembleias de trabalhadores e da juventude decidam uma saída operária da União Europeia (UE)!

Unir nossas greves contra os patrões e o governo!

Por uma saída operária e socialista da UE!

Theresa May é a primeira-ministra apenas no nome – que vaidade dela ficar, na esperança de assinar o acordo do Brexit. Ela deveria ir embora já, mas só permanece porque o Parlamento não vale um centavo a mais do que ela. Todos querem uma transição tranquila de governo. Eles assumiram o controle das negociações do Brexit em 27 de março e o que aconteceu? Não conseguiram aprovar nenhuma das oito propostas apresentadas. Eles deveriam renunciar coletivamente!

O Partido Trabalhista trai os trabalhadores ao defender a permanência na UE, seja com um plano A ou um plano B. Todos os partidos do Parlamento e a esquerda em geral estão esperando por uma saída controlada, mas ela não existe.

O apelo da Liga Socialista Internacional por uma greve geral é mais necessário do que nunca. Os partidos de esquerda que se recusam a lutar agora por uma greve geral e esperam por um governo trabalhista sob Corbyn estão traindo os trabalhadores e deixando os capitalistas conduzirem a crise política confortavelmente em defesa de seus próprios interesses.

Isso mostra novamente que não há saída para um Brexit capitalista. Só a classe trabalhadora britânica, aliada aos trabalhadores europeus, pode encontrar uma saída em uma luta conjunta contra a UE. E existem lutas poderosas. Basta olhar para o que o segundo país mais poderoso da UE está fazendo agora. Macron está mobilizando as forças armadas em Paris contra os coletes amarelos, que não pararam de ir às ruas desde 17 de novembro – essa é a verdadeira face da UE! E os trabalhistas querem empurrar a Grã-Bretanha de volta ao controle deles! Façamos como os trabalhadores franceses, mobilizem-se para se livrar de Theresa May!

No fundo de todos os debates está o fato de que a pobreza alimentar, os bancos de alimentos, os cortes na previdência social, a falta de moradia, o trabalho precário e a destruição do clima tornaram-se coisas normais, não apenas para Conservadores, mas por todos os principais partidos, inclusive o Partido Trabalhista.

Um parlamentar trabalhista reconheceu que o parlamento está paralisado, e escreveu no Times: “Sou parlamentar trabalhista que votou para ficar na UE, embora representando um eleitorado que votou fortemente para sair. Estou dividido em dois. Quero ser responsável, quero estar envolvido, mas eu me sinto inútil e indefeso preso em uma Câmara dos Comuns [o parlamento eleito] que está caindo aos pedaços em um momento de crise nacional. Eu sou um dos 650. Nós todos seremos culpados quando o navio afundar, mas, na verdade, você pode colocar um gato morto lá no meu lugar que ele teria o mesmo papel que eu nas discussões do Brexit”.

Unificar as greves rumo a uma greve geral
Enquanto o Brexit está paralisado, a austeridade não está. O governo e o parlamento vêm destruindo os serviços públicos e os direitos dos trabalhadores, e as prefeituras trabalhistas implementaram planos de austeridade sob as orientações, enviadas em dezembro de 2015, de Jeremy Corbyn.

Greves foram organizadas pelo RMT (metroviários e trens), pelo Bakers’ Union (padeiros), pelo UCU (professores e funcionários de universidades), Unison, Unite e pelos novos sindicatos contra o desemprego, terceirização e precarização. Mas precisamos unificar nossas greves para construir uma greve geral para derrubar o governo, para que os trabalhadores estejam à frente da saída da UE e para que acabem com a austeridade.

Em meio a todo o caos e tumulto que está expondo os Conservadores (e o parlamento), nem o Partido Socialista (SP, ligado ao CIO) nem o Partido Socialista dos Trabalhadores (SWP inglês) exigem, ousadamente e em voz alta, que o TUC convoque uma greve geral. Eles só falam, como o SWP, sobre a farsa da democracia capitalista de uma forma propagandística e mencionam o socialismo como se fosse algo para o futuro distante.

Esses partidos mencionam a necessidade de coordenar greves, mas fazem poucos esforços para fazê-lo, e que melhor maneira existe para coordenar greves do que lutar por uma greve geral?

O voto para sair da UE
A classe trabalhadora está ficando mais empobrecida a cada dia. A vitória da votação para deixar a UE no referendo foi o resultado de grandes tensões sociais que se acumularam por quatro décadas.

As instituições da UE trabalham no interesse das grandes empresas, dos grandes bancos e contra os interesses dos trabalhadores. A União Europeia tornou-se cada vez mais antidemocrática e isso acelerou-se com a crise de 2007/08, onde as Comissões da UE, o BCE e o FMI decidem sobre todos os orçamentos nacionais e aplicações de planos de austeridade e de privatização na Europa para os setores de serviço e infraestrutura, e fazem leis de acordo com seus interesses.

Se podemos derrubar May, e podemos, então também podemos decidir por nós mesmos através das instituições democráticas dos trabalhadores. Defendemos a realização de assembleias de trabalhadores e da juventude abertas a todos os de baixo para decidir por uma saída operária da UE, como parar os ataques do governo conservador contra os trabalhadores e refugiados, para acabar com a austeridade e acabar com a destruição do meio ambiente. Façamos os bancos e as grandes empresas pagarem!

Pensamos que essas assembleias deveriam lutar por um programa anticapitalista, ajudando a construir a luta da classe trabalhadora na Europa e lutar pela destruição da UE. A política de um segundo referendo é uma política de distração para impedir qualquer irrupção da luta dos trabalhadores e nos levar de volta ao tipo de situação que os trabalhadores franceses estão enfrentando agora.

Vamos derrubar os Tories!
Defendemos, como muitos defendem, a queda do governo Tory [do Partido Conservador], mas isso só pode ser feito por uma luta de massas que organize uma greve geral que uma os sindicatos tradicionais com os novos sindicatos independentes e comunidades da classe trabalhadora.

Nós dizemos que o Reino Unido tem que deixar a UE, mas não nas condições que nos foram impostas pela classe dominante. Quando a Grã-Bretanha sair da UE, teremos que lutar contra todos os ataques à classe trabalhadora. Nossa luta deve ser baseada em uma luta por um programa de classe:

  • Derrubar Theresa May, o TUC deve organizar uma greve geral agora!
  • Construir comitês de trabalhadores e estudantes para deixar a UE.
  • Nenhum pagamento de qualquer dívida solicitada pela UE.
  • Pelo fim da austeridade!
  • Tirar todas as empresas privadas do NHS e de todos os serviços públicos!
  • Nacionalização do sistema bancário para obter recursos financeiros para esses planos.
  • Controle democrático pelos trabalhadores sobre os diferentes setores econômicos. Vamos produzir de acordo com as necessidades da maioria, não para o benefício de poucos.
  • Os imigrantes são bem vindos!
  • Construir um governo dos trabalhadores!
  • Unir a luta dos trabalhadores europeus para destruir a UE!
  • Pela livre associação dos Estados Unidos Socialistas da Europa!

Tradução: Marcos Margarido

Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI)