SP: Não foi só por vinte centavos: é por R$ 425 milhões

    Escândalo de corrupção no transporte ferroviário, envolvendo multinacionais, atinge governo de São Paulo e PSDB. Fora Alckmin: corrupto e ditador!

    Uma grave denúncia de corrupção atinge o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Um “propinoduto” para desviar recursos públicos das obras do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi montado durante os vinte anos de governos tucanos.
    O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Ministério Público (MP) estimam que R$ 425 milhões saíram dos cofres públicos para abastecer o esquema. Segundo a investigação, o cartel superfaturou obras do Metrô e da CPTM em 30%. Isso significa que, de cada R$ 10 investidos nos trilhos, R$ 3 foram parar nos bolsos das empresas e de políticos ligados ao PSDB.
    Os governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin assinaram os contratos e aditivos investigados. O governo paulista afirma que não sabia de nada e que foi vítima do esquema. Mas documentos revelados pela revista ISTOÉ comprovam que, desde 2008, tanto o Ministério Público quanto o Tribunal de Contas já alertavam os seguidos governos do PSDB sobre as falcatruas.
    Mesmo com todos os avisos, o propinoduto foi mantido durante os vinte anos. Além dos documentos divulgados, investigações anteriores resultaram no indiciamento, pela Polícia Federal, de 11 pessoas ligadas ao partido. A verdade é clara: dirigentes do PSDB e empresas multinacionais envolvidas lucram com o propinoduto enquanto o povo passa sufoco em trens superlotados.
     
    Alckmin corrupto e Ditador
    Em junho, Alckmin ordenou o massacre da Polícia Militar contra os jovens que lutavam contra o aumento das passagens. Estudantes foram espancados e presos, e jornalistas saíram gravemente feridos. A repressão da PM causou indignação no povo brasileiro. Logo após, milhões foram às ruas em todo o país contra a repressão e o aumento das passagens.
    Em Santos (SP), no dia 3 de agosto, Ricardo Ferreira, trabalhador terceirizado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi morto com oito tiros depois de ser agredido por policiais na frente da universidade. Todas as evidências apontam para uma execução policial a sangue frio.
    Em Campinas, no dia 8 de agosto, cerca de 150 manifestantes foram detidos pela Tropa de Choque da Polícia Militar após um ato pacífico em favor do passe-livre para estudantes e desempregados. A PM invadiu e desocupou violentamente a Câmara Municipal de Campinas, sem mandado de reintegração de posse ou aviso prévio.
     
    Alckmin inimigo da educação e da saúde
    Segundo dados do próprio governo paulista, quatro em cada cinco escolas têm turmas sem professores. Existe um déficit de mais de 49 mil professores, o que representa 21% dos cargos. Os professores recebem salários miseráveis e trabalham em péssimas condições.
    Na saúde pública, faltam hospitais, médicos e funcionários. O povo pobre morre nas filas. Para piorar, o governo estadual promoveu uma grande privatização do sistema de saúde, entregando à iniciativa privada boa parte dos serviços.
     
    Tomar as ruas contra Alckmin
    A mobilização de jovens e trabalhadores conquistou a redução das tarifas e fez a repressão recuar. Mas a luta não foi só por vinte centavos. Foi também por um transporte público de qualidade e por direitos como saúde e educação.
    O governo responsável pelo escândalo do Metrô e pela repressão policial não pode continuar. É necessário varrer do governo, Geraldo Alckmin e todos os envolvidos no escândalo. É preciso uma investigação profunda e transparente do caso. O dinheiro roubado deve ser imediatamente devolvido aos cofres públicos e investido na redução imediata da tarifa do transporte.
    É preciso tomar as ruas contra Alckmin, a corrupção e a ditadura! É necessário lutar em defesa do transporte público, da saúde e da educação!
     
    PT não é alternativa
    Infelizmente, o PT repete a receita tucana no governo federal e na cidade de São Paulo. Em junho, o prefeito Fernando Haddad aumentou a tarifa dos ônibus, apoiou a repressão aos manifestantes e só depois de muita pressão recuou contrariado. Fez tudo isso em acordo com Geraldo Alckmin na defesa do aumento das passagens.
    Agora, Haddad segue de mãos dadas com a máfia das empresas de ônibus na capital. A CPI criada na Câmara de Vereadores para investigar as irregularidades no setor está terminando em pizza devido à orientação da base de sustentação do prefeito petista. A tática do PT, de CPI do transporte, é equivocada, pois os tucanos têm maioria na Assembleia Legislativa.
    Haddad, assim como Alckmin, está ameaçando não cumprir o acordo que fez com a educação municipal durante a greve da categoria em maio. Para justificar mais este ataque, alega que, com o cancelamento do aumento das passagens, falta dinheiro. Essa é mais uma demonstração do descaso com a população e os serviços públicos.
    O PT, nas prefeituras ou no governo federal, não é diferente do PSDB. Assim como os tucanos, se afundou na corrupção, como prova o mensalão. Na política econômica, manteve a linha neoliberal de grandes lucros para banqueiros e empresários.
    Até nas privatizações, o PT não é distinto dos tucanos. Depois de privatizar aeroportos, portos e estradas, Dilma vai leiloar o pré-sal no dia 21 outubro. A venda do campo de Libra para as multinacionais vai significar a entrega da maior reserva de petróleo descoberta no país.
    A estrela e o tucano nunca foram tão parecidos. Tanto é que estudantes e trabalhadores enfrentam, nas ruas, os governos do PT e os do PSDB.
     
    O PSTU defende:
    – Fora Alckmin, corrupto e ditador!
    – Prisão e confisco de bens dos políticos e das empresas envolvidas no escândalo do Metrô!
    – O dinheiro desviado no propinoduto tem de ser devolvido imediatamente e direcionado à redução da tarifa do transporte!
    – Passe-livre para estudantes, idosos e desempregados, rumo à tarifa-zero!
    – Fora máfia dos transportes do estado e dos municípios!
    – Por um transporte público estatal de qualidade!
    – Contra a precarização dos contratos de trabalho na educação e por aumento salarial dos professores!
    – Contra as privatizações na saúde!
    – Nem PSDB, nem PT: trabalhadores no poder!
     

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