SP: Governo e polícia afirmam que repressão ocorreu para “evitar quebra da ordem”

Coronel Celso Luiz Pinheiro: 'operação foi um sucesso'

Em entrevista coletiva, comandante da PM admite que foi a polícia quem iniciou o confronto

Um dia após reprimir a manifestação contra os desmandos da Copa do Mundo em São Paulo, o comando da Polícia Militar admitiu que a ação ocorreu sem que nenhuma “depredação” ou “ato de vandalismo” tivesse acontecido. Em entrevista coletiva à imprensa, o comandante do policiamento do centro da cidade, coronel Celso Luiz Pinheiro, afirmou que a repressão policial se deu para antecipar possíveis atos de vandalismo.

Tivemos que fazer as intersecções antes que a ordem fosse quebrada, já que havia iminente e grave possibilidade, segundo os agentes infiltrados“, declarou o coronel. Parte da imprensa, inclusive o Jornal Nacional, havia divulgado a versão de que a repressão ocorrera para interromper depredações e atos de vandalismo. Ainda segundo o comandante, a operação foi “um sucesso”.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, compartilhou o balanço positivo da operação policial. “Foi uma operação feita com o propósito de evitar a quebra da ordem“, disse. O secretário reafirmou que denúncias de abuso policial seriam “apuradas”. Desde junho, nenhum policial foi punido por qualquer tipo de abuso, apesar das agressões da polícia terem provocado vários feridos, incluindo um fotógrafo que perdeu um olho ao ser vítima de bala de borracha da PM.

Repressão
A repressão policial teve início quando a manifestação, até então pacífica, aproximava-se do metrô Anhangabaú. Na rua Xavier de Toledo, mais estreia, a Tropa de Choque investiu contra os manifestantes, “cortando” o ato em dois. Um cerco policial isolou algo em torno de 200 manifestantes. Eles permaneceram detidos nesse cerco por mais de duas horas, embaixo de chuva, antes de serem levados. Foram detidas ao todo 262 pessoas. Pelo menos cinco repórteres também foram detidos e agredidos pela PM, que não permitia que a imprensa registrasse imagens da ação.

A repressão se generalizou pelas ruas do centro da cidade, atingindo bares e até mesmo blocos de carnaval.

Foi deslocado um efetivo de 2300 policiais para a manifestação que, segundo a PM, reuniu mil pessoas. Os organizadores, por sua vez, calculam esse número entre dois e três mil.

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