SP: Debate discute nova situação do país após as mobilizações iniciadas em junho

Atividade reuniu cerca de 200 pessoas
(Foto: Fernanda Lourena)

Na última quarta-feira, 24 de julho, no SINSPREV, ocorreu o debate A atualidade do Marxismo e a saída para o Brasil, que contou com o Valério Arcary, direção do PSTU, Arielli Tavares, da Juventude do PSTU, e cerca de 200 participantes que, mesmo com a chuva paulistana e muito frio, não se intimidaram e compareceram ao debate.

O encontro foi uma atividade de formação que reuniu militantes e simpatizantes do PSTU. O debate se fez necessário depois das manifestações que tomaram o país em junho e se estendem até hoje, principalmente depois do dia 11 de julho, quando ficou marcada a entrada da classe trabalhadora nas mobilizações.

Além de necessária pela nova conjuntura política do país, a atividade trouxe como pilar a teoria marxista e como ela se mostra atual no contexto que vive o país.

Arcary destacou a importância das mobilizações, principalmente porque os jovens e a classe trabalhadora protagonizaram um momento histórico que não víamos a mais de uma década, com milhões nas ruas enfrentando os governos.

A faísca, como salientou Valério, foi a repressão do dia 13 de junho, o 4º ato pela redução das passagens em São Paulo. As cenas de violência explícita e gratuita contra os manifestantes e a imprensa chocaram a população do país inteiro. O movimento se fortaleceu e se espalhou pelo país. E foram nessas manifestações que a juventude se viu como sujeito coletivo, capaz de mudar os rumos do país.

Mas como todas manifestações, surgem elementos progressivos e regressivos. De acordo com Valério, o que se viu nas ruas de mais progressivo foi a denúncia da política do “pão e circo”, potencializada atualmente pela Copa das Confederações e Copa do Mundo. As pessoas se mostraram indignadas com os gastos públicos para tais eventos enquanto continuamos com o caos na saúde pública, uma educação sucateada e uma intensa precarização do trabalho.

Para Valério, a juventude se vê correndo o risco de viver em situações piores que de seus pais, com salários baixos e muitas vezes trabalhando fora da área que estudou, dependente de um transporte precário para se locomover e impactados com uma especulação imobiliária galopante. A perspectiva dos jovens que saem de universidades (que não são muitos) são limitadas. O país passa por uma estagnação econômica e a juventude sente isso na pele. Foi essa juventude que foi às ruas. “Foi por muito mais que vinte centavos”, destaca Arcary.

Durante a sua apresentação, Arielli deixou claro a importância do dia 11 de julho, dia que paralisou milhares trabalhadores. “Foi a primeira vez, desde os anos 1980, que grandes centros industriais pararam de forma simultânea”, argumentou.

Arielli também aproveitou para falar da importância do 30 de agosto, um novo dia paralisações. Foi ressaltada a importância desse novo dia de luta como resposta à tentativa da mídia burguesa em jogar a juventude contra os trabalhadores e vice versa, enfraquecendo essa unidade que pode derrotar a política econômica do governo e das empresas. “A história mostra que quando juventude e classe trabalhadora se unem, têm uma força incrível”, afirma a militante da juventude do PSTU.

A segunda parte do debate foi aberta a perguntas, quando questões importantes foram levantadas por filiados e militantes, e por ativistas que acompanharam o debate e estavam lá dispostos a conhecer melhor o PSTU.