Somos todos Queixadas: Prefeitura do PSDB quer despejar ocupação em São Paulo

As famílias da Ocupação dos Queixadas, localizada em Perus, na divisa entre São Paulo e com Cajamar, estão sofrendo uma grave ameaça e podem ser despejadas violentamente nos próximos dias. A ocupação tem hoje cerca de 500 famílias e está cravada numa região comandada por empresários, latifundiários e políticos. O lacaio dessa turma aí é a prefeitura de São Paulo, comandada por Bruno Covas do PSDB.

Em reunião com a Secretaria de Habitação, a prefeitura manteve a exigência da saída das famílias até a próxima sexta-feira, 3 de agosto. Caso não saiam, a prefeitura ameaça usar um operativo de guerra numa operação ilegal chamada “ação de desfazimento”, que consiste em usar a tropa de choque para desocupar sem ordem judicial. No Brasil, é assim. Quando se é pobre e trabalhador, os poderosos não precisam pedir autorização à dita Justiça para reprimir.

A ação de desfazimento já foi usada em fevereiro, quando os sem-teto já tinham ocupado o mesmo local. Eles foram despejados de forma violenta e ilegal pela subprefeitura de Perus. Mesmo depois da ação truculenta, tiveram coragem e ousadia para reocupar o terreno no último dia 20.

Assembleia na Ocupação dos Queixadas

Mesmo ameaçados, os moradores decidiram que vão continuar a lutar. Em assembleia realizada no último dia 30, ficou decidido que a mobilização vai continuar até conquistarem uma garantia efetiva de moradia.

Avanilson Araújo, advogado e dirigente do movimento Luta Popular, filiado à CSP-Conlutas, explica que existem interesses políticos muito fortes que pressionam a prefeitura do PSDB para retirar rapidamente as famílias de lá.

“Na verdade, a gente está enfrentando um setor ligado ao PSDB, deputados e políticos da região. Particularmente, o deputado Marcos Zerbini, que é ligado a associações que trabalham com venda de terreno para famílias carentes”, diz.

Marcos Zerbini é conhecido por se utilizar da falta de moradia na região do Jaraguá para tirar proveito político. Em 2000, foi eleito vereador e, em 2006, elegeu-se deputado estadual. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo em 15/2/2009, a esposa de Zerbini explicou como funciona o esquema: eles reúnem economias individuais de famílias que precisam de moradia para comprarem terrenos e dividi-los em lotes. Assim, administram um grande negócio imobiliário e, de lambuja, ainda conseguem um curral eleitoral para reeleger o deputado.

Avanilson também alerta sobre novas desocupações que o PSDB está preparando: “Estão agendadas para São Paulo cerca de 180 reintegrações de posse envolvendo mais de 40 mil famílias. E a própria Secretaria de Habitação admitiu que essa situação é parecida com a década de 1980, marcada também por crise econômica e crise política. Segundo a mesma secretaria, 70% das ocupações urbanas são realizadas de maneira espontânea. Ou seja, a atual crise social está produzindo a retomada das lutas pelo direito de morar.”