Situação da mulher trabalhadora piora no governo Lula

A mulher trabalhadora e o governo Lula foi o tema do debate da oficina realizada pela Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU, no Fórum Social Brasileiro, realizado em Belo Horizonte (MG). Cerca de 100 pessoas, entre militantes do PSTU, PT, PV e independentes, participaram do debate. Como palestrantes foram convidadas as dirigentes sindicais Ana Luiza Figueiredo, da Fenajufe, e Vanessa Portugal, da CUT Metropolitana da Grande BH e do Sindute.

A necessidade de se ampliar a organização das mulheres na luta contra as reformas do governo Lula foi uma das principais propostas da oficina. Ana Luiza destacou que a reforma da Previdência atingiu diretamente as mulheres, que tiveram o tempo de aposentadoria ampliado, além da redução de pensões, que também atinge em sua maioria as mulheres.

Apesar de ter criado uma secretaria de Mulheres, o governo não investiu para melhorar a situação da mulher trabalhadora no país e muito menos para mulher jovem, que não tem como entrar no mercado de trabalho. Não há uma política para a criação de creches, casas abrigo para mulheres vítimas de violência e nem discussão com relação a planejamento familiar, direitos mínimos que não são nem cogitados pelo atual governo.

Hoje, a maioria das trabalhadoras ainda ganha 70% do salário pago a um homem para desempenhar a mesma função. As mulheres representam 41% da população economicamente ativa do país, destas 17% são empregadas domésticas.

A atuação das direções de organizações feministas também foi duramente criticada. Para Vanessa, a principal reivindicação da Marcha Mundial de Mulheres – de dobrar o salário mínimo em quatro anos – é uma traição à luta dos trabalhadores. “Sempre defendemos o salário mínimo do Dieese (hoje em torno de R$ 1.400,00). Essa bandeira que está sendo adotada pela Marcha não mobiliza e é um ataque as reivindicações históricas dos trabalhadores brasileiro”, criticou.

Para avançar na organização e luta das mulheres ficou definido que é preciso criar secretarias ou coletivos de mulheres nos sindicatos e entidades estudantis, ampliar o debate sobre a situação da mulher trabalhadora e estudante no país e preparar grandes mobilizações para o 8 de Março (Dia Internacional da Mulher) no ano que vem.