Síria: breve história de um clã sanguinário

Em 1957, a Síria tinha um Partido Comunista altamente organizado e o chefe do exército, Afif Bizri, era um simpatizante comunista. Orientado pelo presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, o presidente Shukri al-Quwatli decidiu se livrar dos comunistas, mas não conseguiu.

Para evitar o “domínio comunista”, Nasser concordou com uma fusão total com a Síria em fevereiro de 1958. Foi fundada a República Árabe Unida (UAR). Nasser, como presidente, logo realizou uma ofensiva contra os comunistas sírios e os opositores da união. Para isso realizou um plebiscito, dissolveu os partidos, e a retirou o exército da política.

Mas em 28 de setembro de 1961, um grupo de oficiais organizou um golpe e declarou a independência da Síria. Nazim al-Kudsi passou a ser o presidente, restabeleceu as ligações com o imperialismo, recebeu empréstimos do Banco Mundial e reverteu as estatizações.

Em 1963 um novo golpe militar levou o partido Baath ao poder e al-Kudsi foi preso. Que liderou o golpe foi Amin al-Hafiz, com apoio de Hafez Assad, pai de Bashar, que participou de seu primeiro golpe de estado.

Um ano depois, 1964, tornou-se general e no ano seguinte, Comandante-em-chefe da Força Aérea.

Em fevereiro de 1966 o Chefe de Gabinete, Jadid Salah, deu um novo golpe que derrubou al-Hafiz, com uma facção do partido Baath chefiada por Assad. Mais a frente Assad deu um golpe dentro do golpe, e limpou o governo de seus adversários tornando-se ministro da Defesa.

Isso foi até 1970, quando a derrota na Guerra dos Seis, em 1967, e a decepção com o Setembro Negro, levaram Assad a um golpe intra-partidário, a “Revolução Corretiva”. Jadid foi preso e permaneceu na prisão até sua morte em 1993.

Ele foi presidente por trinta anos. Seu clã não permitia a mínima dissidência e a repressão era brutal.

Em junho de 1980, durante uma recepção oficial, a Irmandade Mulçumana tentou matar al-Assad com uma granada de mão, a vingança foi rápida e impiedosa: poucas horas depois, 1.200 islamitas detidos foram executadas em suas celas em Prisão Tadmor, por unidades leais ao presidente chefiadas por Rifaat al-Assad, irmão de Hafez. Realizou milhares de execuções extrajudiciais contra os opositores do seu regime.

Gostava de apresentar-se como “o leão de Damasco” e competia com Kadafi e Sadam pela condição de herdeiro de Saladino, como caudilho militar dos povos árabes contra Israel e os Estados Unidos.

Mas a verdade é que a paz reinava tranqüila nas Colinas de Golan, ocupadas por Israel. E do Líbano suas tropas fugiram rápido quando viram a estrela da Davi.

SETEMBRO NEGRO
Em setembro de 1970 o Exército Real Jordaniano (apoiado por Israel) declarou guerra aos guerrilheiros palestinos, resultando em um verdadeiro massacre de civis. O saldo desse enfrentamento foi cerca de 10 mil mortos e a expulsão dos paramilitares palestinos de solo jordaniano.

As nações árabes foram contra o episódio, que ficou conhecido como Setembro Negro.

Principalmente a Síria, que com apoio soviético, chegou a posicionar seus tanques para atravessar a fronteira jordaniana e apoiar os palestinos.

Hafez Assad não apoiou esta ação, e as tropas se retiraram. Isso ajudou a desencadear o conflito entre Jadid Salah, a apoiava a intervenção, e Assad.

O MASSACRE DE HAMA
Ocorreu em fevereiro de 1982, quando o exército sírio, sob as ordens de Hafez al-Assad, realizaram uma terra arrasada política contra a cidade de Hama, a fim de sufocar uma revolta sunita contra o regime. Foi conduzida pessoalmente pelo irmão do presidente, Rifaat al-Assad.

As estimativas falam em pelo menos 40 mil cidadãos sírios mortos, a maioria civis, descrito como entre “os mais mortais atos individuais por qualquer governo árabe contra seu próprio povo no Oriente Médio moderno”.

Depois, o pessoal de segurança interna e militares foram enviados para “pentear” os escombros e pegar os sobreviventes para torturar e realizar execuções de simpatizantes dos rebeldes, matando muitos milhares durante várias semanas.

A barbárie daqueles anso se repete agora, com o assassinato de mais de 1.100 civis, nos protestos contra o regime, inclusive com tortura contra crianças.