Servidores do Rio: `O Pitéu é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo`

Cerca de quatro mil servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro realizaram uma passeata no final da tarde desta quarta-feira, 26 de fevereiro, para a protestar contra a governadora Rosinha Garotinho e o não pagamento dos salários. As diversas categorias presentes fizeram no ato uma grande demonstração de solidariedade a Gualberto Tinoco, o Pitéu, diretor do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) e militante do PSTU, preso pela Polícia Militar na noite de quarta-feira.

A prisão de Pitéu, por um mandado por desacato a autoridade expedido em 1972, é uma clara retaliação da governadora Rosinha a todo os servidores. E isso foi expresso pelo Sepe, que entrará com um processo por danos morais, e durante o percurso pela Avenida Rio Branco. Pitéu foi lembrado em praticamente todas as intervenções e na palavra-de-ordem “O Pitéu é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo“. Convocada como Bloco Carnavalesco Unidos dos Servidores“, a manifestação contava com alas e a que abria o desfile era a “Somos Todos Pitéu“, com integrantes acorrentados, amarrados e vestidos de presidiários.

A poucos dias do carnaval, a passeata foi um grande baile nas pretensões da governadora de seguir atacando o funcionalismo. Rosinha sugou tanto o salários que foi homenageada com a ala VampRosinha. Os vampiros vinha acompanhados de centenas de pessoas vestidas de roxo formando a ala “Tô roxo de raiva“. Alunos, professores e funcionários técnico-administrativos da Uerj mostraram sua indignação na ala “Filhos da Pública“.

A animação do desfile também ficou por conta de uma banda tocando paródias das marchinhas de antigos carnavais. No meio de um verdadeiro inferno astral, com o Rio tomado pela violência e junto com seu marido tendo de prestar esclarecimentos sobre o escândalo dos fiscais, Rosinha não foi poupada. A versão de Jardineira foi uma das mais cantadas: “MentiRosinha, por que estás tão triste? Mas o quê foi que te aconteceu? Foi o Silveirinha que pegou o dinheiro do salário e desapareceu

Ao término do ato Pitéu fez um pronunciamento denunciando a perseguição política contra o funcionalismo e também exigindo do governo Lula o rompimento com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que asfixia os Estados e cujo déficit sempre sobra para os trabalhadores. Cyro Garcia falou pelo PSTU e cobrou de Lula o plebiscito oficial sobre a Alca.