Sem-teto param a Via Dutra por uma hora

Protesto contra desocupação de área reuniu 1.200 pessoasCerca de 1.200 sem-teto do acampanhamento Pinheirinho, localizado na Zona Sul de São José dos Campos (SP), ocuparam na manhã desta segunda-feira, 10, as duas pistas da Via Dutra por cerca de uma hora.

Os dois sentidos foram totalmente paralisados na maior parte do tempo, mas, depois de um acordo com a Polícia Rodoviária Federal, foram liberadas duas faixas por 10 minutos, uma de cada lado.

Cerca de 80 policiais foram destacados para retirar os sem-teto da pista. A tropa de choque foi acionada. Soldados armados com metralhadora também podiam ser vistos no efetivo.

Apesar do forte aparato policial, não houve confronto, porque, conforme combinado com os policiais, os sem-teto deixaram as duas pistas às 10h30.

Para o líder do movimento sem-teto, Valdir Martins, o Marrom, o movimento serviu para fazer um alerta nacional.

“Querem nos tirar de uma área que estava abandonada há 30 anos, reivindicada pelo megaespeculador Naji Hahas, que deve mais de R$ 5 milhões em impostos a Prefeitura. Paramos a Via Dutra, uma rodovia importante do Brasil, para chamarmos a atenção de todos“, disse.

“Com a desocupação, marcada para daqui uma semana, vai haver muita resistência e luta. Nós não vamos deixar o Pinheirinho“, completou.

REINTEGRAÇÃO

Em dezembro, a Justiça concedeu a reintegração de posse do terreno à empresa Selecta Comércio e Indústria S/A, do megaespeculador Naji Nahas. Os advogados do movimento chegaram a suspender a decisão, mas, poucos dias depois, o Tribunal ratificou a ordem de tirar as famílias da área.

A expulsão das famílias pode acontecer a partir do dia 15 de janeiro. A PM está preparando um aparato de guerra para retirar as famílias: tropa de choque, efetivos de outras cidades, helicópteros e caminhões.

O terreno do Pinheirinho, com mais de 1 milhão de metros quadrados, estava abandonado há mais de 30 anos. A empresa Selecta, que reivindica a propriedade, deve mais de R$ 5 milhões de IPTU à Prefeitura de São José dos Campos.