Sem-terra é baleado em Iaras

O trabalhador rural Luiz Pereira Sampaio levou um tiro de espingarda, no dia 27 de outubro, disparado pelo agente da Polícia Civil João Nogueira Filho. O agricultor tinha votado no segundo turno das eleições e aguardava em Iaras, junto com outros companheiros, o ônibus que os levaria até o acampamento. Neste momento chegou o presidente da Câmara de Vereadores, que começou a insultá-los e disse que chamaria a polícia para expulsá-los da cidade. Instantes depois, o delegado de Iaras e o policial Nogueira chegaram ao local. Nogueira agrediu um dos trabalhadores com coronhadas. Luiz Sampaio se aproximou para pedir calma ao policial, que disparou contra ele.
O trabalhador teve que passar por diversas cirurgias e corre o risco de ficar paraplégico. O mais surpreendente é que, quando a esposa de Luiz foi à delegacia fazer o Boletim de Ocorrência, o delegado Rubens ameaçou prendê-la.
Com mais este ataque fica claro que há uma perseguição aos sem-terra desde que eles chegaram à região, em 1995. O prefeito, policiais civis e fazendeiros vêm intimidando os trabalhadores com prisões e ameaças de morte.
A área que os sem-terra reivindicam pertence aos governos estadual e federal, mas há 80 anos vem sendo grilada por fazendeiros. O próprio poder público já propôs a criação do assentamento, mas os latifundiários da região não aceitam.
O policial que atirou em Luiz Sampaio é o mesmo que, no dia 28 de janeiro, invadiu barracos do Acampamento Nova Canudos portando uma lista com nomes de militantes. Na ocasião, o trabalhador Gonçalo Laurindo dos Santos foi torturado, ameaçado de morte e obrigado a indicar onde estavam esses militantes. Mesmo sem os mandados de busca e apreensão ou de prisão, os policiais detiveram mais sete pessoas.

Apuração e punição dos crimes da região!

Para vistoriar o inquérito policial, estiveram esta semana na região o deputado estadual Renato Simões (PT), o membro da Executiva Nacional da CUT e dirigente do PSTU, Dirceu Travesso, e o procurador da República em Marília, Jefferson Aparecido Dias. A comissão, acompanhada de uma comitiva que reunia dirigentes sindicais e políticos do Estado, foi às delegacias de Iaras e Avaré (para onde foi remetido o inquérito devido ao envolvimento do delegado de Iaras).
Eles apuraram que a versão relatada no boletim de ocorrência é totalmente inverídica. Alega-se que o pessoal do MST foi fazer uma provocação em uma festa do PSDB e que os sem-terra quebraram e roubaram algumas coisas.
A comissão pretende marcar um encontro com o secretário de Segurança Pública de São Paulo para discutir os ataques realizados pelos fazendeiros e policiais da região contra os sem-terra e a necessidade imediata de regularização dos acampados na região.

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