Sangue e corrupção: o caso dos vampiros e os R$ 10 bilhões

Tráfico de influência, corrupção e maracutaias enlameiam tucanos e petistasMais um escândalo de corrupção vem à tona e respinga lama em tucanos e petistas.
A maracutaia agora envolve tráfico de influência sobre as licitações para a compra de medicamentos, principalmente hemoderivados (plasmas sanguíneos utilizados em hemodiálises), adquiridos pelo Ministério da Saúde.

Segundo o Ministério Público e as investigações da “Operação Vampiro”, realizadas pela Polícia Federal, a quadrilha do sangue atuava dentro do Ministério na Coordenadoria Geral de Recursos Logísticos da Saúde, comandada desde o início do governo Lula, por Luiz Cláudio Gomes, amigo pessoal do ministro Humberto Costa.

Tucanos e vampiros

As investigações indicam que os “vampiros” da máfia do sangue faziam parte do esquema PC Farias (rede de corrupção montada por Paulo César Farias nos anos 90, durante o governo Collor). Porém, a máfia seguiu atuando impunemente durante os governos seguintes. Ao longo desses anos todos, calcula-se que foram desviados mais de R$ 10 bilhões do Ministério da Saúde.

Durante o governo FHC, o então ministro José Serra conviveu por quatro anos com a máfia do sangue. Nesse período, eles não foram incomodados e embolsaram R$ 120 milhões por ano.

É difícil imaginar que Serra não soubesse de nada do que estava acontecendo debaixo do seu nariz. É como achar que FHC, em seu governo, não sabia de nada sobre os escândalos do Proer, Sivam, Sudam, Sudene, Dossiê Caymann, compra de votos na emenda da reeleição e muitos outros.

O “Waldomiro” de Humberto Costa

Quando era prefeito de Recife, em Pernambuco, Humberto Costa teve a Secretaria de Saúde de sua administração chefiada por Luiz Cláudio que, depois das eleições de Lula, foi transferido para ser um dos homens fortes do seu ministério.

A maracutaia envolve, também, lobistas e empresas multinacionais ávidas por abocanhar contratos milionários em compras governamentais. Um dos lobistas acusados, Laerte de Arruda Corrêa Junior, arrecadou dinheiro junto a empresas farmacêuticas para a campanha eleitoral do PT, em 2002, e tinha relações diretas com o tesoureiro petista Delúbio Soares. O próprio Delúbio admite que pediu auxílio para arrecadar dinheiro para a campanha petista. De acordo com o tesoureiro, a ajuda foi solicitada porque “Como é lobista há anos e anos, ajudava nas conversas”. Na campanha eleitoral, o PT recebeu, pelo menos oficialmente, cerca de R$ 1,6 milhão de doações de laboratórios e de empresas farmacêuticas.

É cada vez mais comum o envolvimento de figurões do governo petista em escândalos de corrupção. O mais notório foi o que envolveu o braço direito do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, cujo favorecimento a bicheiros em licitações em troca de propinas e “contribuições” a campanhas petistas acabou por revelar até onde vão as conseqüências das alianças entre o PT e a burguesia. Ao optar por governar para os ricos, aliado a bandidos como Quércia, Maluf e Sarneys da vida, o PT acabou incorporando em seu cotidiano a corrupção que toma conta de toda a institucionalidade e da classe dominante do país.

Também não é nenhuma novidade o financiamento das campanhas petistas por grandes empresas. Há muito tempo o PT recebe dinheiro de banqueiros, latifundiários e empresas que parasitam o Estado. Ao receber esses financiamentos, o PT fica com o rabo preso com essas empresas.

As administrações petistas estão recheadas de exemplo de favorecimentos a empresários. Para ficar só num exemplo: o governo de Marta Suplicy, em São Paulo, favoreceu os cartéis do transporte coletivo e empresas de coleta de lixo trabalham sem licitação. O governo Lula está cada vez mais parecido com o governo FHC, além de aplicar a mesma política econômica ditada pelo FMI. O governo do PT se tornou protagonista da bandalheira. Como já alertávamos em outras edições: Muitos “Waldomiros” ainda virão.

Para o caso da máfia do sangue não virar pizza, é preciso prender todos os “vampiros” envolvidos com o desvio de recursos e expropriar seus bens. Exigimos também a imediata demissão do ministro Humberto Costa e uma profunda investigação sobre as relações entre Serra e os “vampiros”, que atuaram impunemente durante sua gestão no Ministério da Saúde. Para isso é necessário organizar uma comissão de entidades democráticas – como OAB, CNBB, ABI e outras – juntamente com personalidades para apurar com idoneidade, não só o atual escândalo dos vampiros, mas também o caso Waldomiro Diniz.
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