Romper com a CUT ou “Fortalecer a CUT”?

A CUT, hoje, é um braço do governo no movimento sindical brasileiro, e está submetida ao Estado burguês, aos seus cargos e às suas verbas.

Chegou a hora de romper com a CUT. Chegou a hora de criar uma nova alternativa de direção que lute pelos interesses dos trabalhadores e pela independência dos sindicatos diante do Estado. Ou seja, é hora de lutar para garantir as mesmas bandeiras com as quais a CUT foi criada.

A ruptura já começou. Trabalhadores se afastam do governo Lula e identificam a CUT como representante dele. Muitos sindicatos, principalmente do funcionalismo público, já pararam de pagar a Central ou se desfiliaram.

Contudo, essa não é a opinião do grupo Fortalecer a CUT, formado pela Articulação de Esquerda (AE), Fórum do Interior, Força Socialista e O Trabalho.

Esse grupo está convocando um Encontro Nacional, em agosto, dos que estão contra a reforma Sindical e contra a divisão da CUT. Na convocatória desse encontro, consta a afirmação: “Na nossa concepção, a CUT são os 50 mil dirigentes sindicais dos mais de 3 mil sindicatos filiados e os trabalhadores por eles representados, que estão chamados a se posicionar sobre essa reforma Sindical e, ao fazê-lo, estamos certos, defenderão as bandeiras históricas de nossa Central contra o que foi pactuado entre os patrões, as cúpulas das Centrais e o governo no FNT (Fórum Nacional do Trabalho)”.

A ruptura não é divisionista

Para os companheiros basta chamar os sindicatos da base da CUT a se posicionar contra a reforma, que, por dentro dos organismos da Central, ocorrerá a mudança de posição. Eles estão “certos” de que a luta, restrita aos organismos da CUT, conseguirá mudar a posição da Central. Por esse motivo, eles investem furiosamente contra os “divisionistas”: “Entretanto, desde que se iniciou o debate sobre a reforma Sindical, há setores que, confundindo a eventual maioria de sua direção com o conjunto da Central, decretam que a CUT ‘não está mais em disputa’ e jogam na divisão da Central, criando Coordenações (Conlutas e Celutas) como ‘direções alternativas’, avançando em Congressos sindicais propostas de ‘desfiliação da CUT’”.

Essa argumentação não tem nada a ver com a realidade. A CUT está atada por amplos laços materiais ao aparelho de Estado e ao governo Lula. O que está em jogo não é a força dos argumentos para vencer uma discussão, mas as vantagens materiais de uma burocracia. Não se pode convencer uma burocracia a abandonar seus privilégios e a CUT está completamente burocratizada.

Os companheiros fazem uma separação entre a direção e a Central como um todo, como se os organismos da CUT não estivessem todos burocratizados e submetidos à direção. Hoje, a Articulação ganharia qualquer Congresso ou plenária nacional para discutir as reformas Sindical e Trabalhista, utilizando os mesmos recursos materiais do Estado burguês. Os companheiros sabem que não estão falando a verdade, quando dizem estar “certos” de que podem ganhar a discussão sobre a reforma Sindical nos organismos cutistas.

Post author Eduardo Almeida, da redação
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