Militantes do PSTU votaram pela continuidade do movimento grevista e sempre defenderam a intensificação da luta

Por Tiago Silva, militante do PSTU/RN

Os trabalhadores e trabalhadoras da rede estadual da educação aprovaram a proposta do governo de pagamento do piso e encerraram a greve. A decisão ocorreu em assembleia realizada na última sexta-feira (4). O PSTU/RN votou pela continuidade do movimento grevista e sempre defendeu a intensificação da luta.

A proposta do governo contempla o reajuste dos salários dos professores e especialistas em educação que estão abaixo do novo piso neste mês de março, com efeito retroativo a janeiro, em até 33,24%. Já para os demais profissionais, o reajuste se dará em três parcelas, com 15,03% em março, 6% em novembro e 9,28% em dezembro.

Para a professora Luciana Lima, militante do PSTU/RN e do Movimento Muda Sinte, oposição à atual direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte/RN) – dirigido pela CUT – , a proposta da governadora Fátima Bezerra (PT) é insuficiente e mostra mais uma vez que o Sinte Estadual é uma extensão do governo.

“O Sindicato deveria ter levado a greve para a rua e fortalecido o movimento, em vez de ter feito mais uma manobra para blindar a governadora”, diz. Desde o início da greve, a entidade sindical dificulta a organização das assembleias e não aponta caminhos concretos para a luta.

O discurso do governo de Fátima é de que não há dinheiro para implementar o reajuste do piso na integralidade. Porém, reajustou em 12,3% a UPV (Unidade da Parcela Variável) dos auditores fiscais e em 16% o salário dos procuradores, delegados e auditores, que já ganhavam acima dos R$ 35 mil.

Além de não priorizar os servidores nem a educação pública, a governadora e ex-sindicalista ironizou a greve dos trabalhadores e trabalhadoras da educação, durante entrevista ao apresentador Juca Kfouri, no programa “Entre Vistas”, da TVT, em 17 de fevereiro. Na ocasião, Fátima comenta sobre a volta às aulas presenciais no estado. “Os professores nesta semana deflagraram greve. Olha só a situação, depois de dois anos de paralisação”.

A declaração de Fátima causou indignação na categoria, pois desrespeita esses profissionais. Os professores e professoras, mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia da covid-19, desenvolveram suas atividades nesse período de forma remota, ainda mais desgastados com a precarização do trabalho.

O governo não deu nenhuma condição para a realização das aulas, como a garantia de internet ou equipamentos eletrônicos, tanto para alunos quanto para educadores. Uma realidade que, infelizmente, se expressa nacionalmente.

Assim, o fosso de desigualdade na aprendizagem dos filhos e filhas da classe trabalhadora se aprofundou ainda mais. A análise divulgada pela organização Todos pela Educação, baseada nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ajuda a visualizar o problema. Entre 2019 e 2021, o número de crianças de seis a sete anos no Brasil que não sabem ler e escrever cresceu 66,3%.

Além disso, as aulas remotas retornam no Rio Grande do Norte e no Brasil sem nenhum investimento nas escolas. Os prédios continuam inadequados para receber os alunos, sobretudo neste contexto de crise sanitária. As salas de aula são pequenas e pouco arejadas, faltam carteiras, professores e merenda de qualidade. É nesse contexto que os governos preparam a retomada das aulas presenciais.

A luta dos educadores pelo pagamento do reajuste de 33,24% do Piso Nacional do Magistério é exemplo de que os gestores querem jogar a conta da crise nas nossas costas. A batalha pela garantia do Piso é histórica. A categoria realizou grandes jornadas e manifestações. Os governos, porém, se unem para destruir esse direito.

A conquista dos direitos da nossa classe não vai depender de nenhum governo, mas sim da nossa luta e organização. O PSTU está sempre ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras e segue defendendo e apoiando todos os movimentos de resistência.

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