No último dia 12 foram divulgados dados obtidos pela prefeitura do Rio de Janeiro sobre a violência contra pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais (LGBTI) na cidade do Rio de Janeiro. Apesar de toda propaganda de que a capital fluminense é uma cidade gay friendly e um destino seguro para os turistas a realidade vem mostrar que não é, nem de perto, a realidade que as LGBTIs trabalhadoras e pobres vivem na cidade.

O Rio vive uma explosão de casos de violência transfóbica, os casos notificados entre janeiro e maio de 2022 já superaram todos os casos que ocorreram em 2021. Vale ressaltar que estes dados em específico foram obtidos a partir das notificações obrigatórias realizadas pelas unidades de saúde que atenderam as vítimas e, provavelmente, estão subnotificados uma vez que muitas vítimas nem procuram os serviços de saúde por medo de uma maior exposição.

No total, foram notificados 146 casos de agressão, número próximo do recorde histórico de 159 casos ocorridos no ano de 2015. A maioria dos casos ocorreram contra mulheres trans tendo como agressores cônjuges ou exploradores sexuais (cafetões) sendo que 47% dos casos eram reincidentes.

Esses números mostram um panorama em que a violência se repete em um ciclo vicioso. A transfobia impede que pessoas trans acessem os empregos e terminem a educação básica, a prostituição resta como única alternativa e neste contexto ficam ainda mais expostas à violência.

O machismo cotidiano somado à transfobia também faz com que parte considerável das mulheres trans agredidas tenham como agressor o cônjuge.

Quanto mais longe do Posto 8 mais perto da miséria e da violência

Desde 2018, ainda no mandato de Marcelo Crivella, diversos setores empresariais dos setores hoteleiros e turísticos vêm tentado vender a cidade do Rio como uma capital do turismo voltado para o público LGBTI. Um acordo firmado entre a prefeitura e a Câmara do Turismo e Comércio LGBT vende uma cidade que na prática não existe, onde o direito à sexualidade e a afirmação das identidades de gênero seriam livres e aceitas.

Mas, na realidade, o que vemos é um aumento acentuado da violência e a piora cada vez maior das condições de vida das LGBTIs pobres e trabalhadoras. A proposta de “inclusão” no capitalismo que é vendida, só se pode ter direito à sexualidade e à existência as LGBTI que podem pagar por ela. E se valendo desta realidade, muitos setores utilizam nossas bandeiras para enriquecer, vendendo caro aquilo que deveria ser direito.

A cara comercial e turística do Rio para as LGBTIs vende um padrão rico, branco e cisgênero. As campanhas turísticas nada interferem na realidade de violência e miséria das LGBTIs. Vendem uma imagem de inclusão, mas não mostram a realidade a que estamos submetidas cotidianamente.

O caso do Rio é o exemplo de como o capitalismo não pode resolver a LGBTIfobia. Em primeiro lugar os donos do sistema, burgueses incluindo a fatia minoritária dos burgueses LGBTI, enriquecem com a opressão. Em segundo: a LGBTIfobia está enraizada no capitalismo, cumpre um papel de dividir os trabalhadores e piorar as condições de vida dos trabalhadores de conjunto.

A maneira que temos de pôr fim à opressão é construindo outra sociedade, igualitária e onde o direito à existência, afeto e sexualidade não sejam privilégios de quem possa pagar, mas um direito.

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