Revista Correio Internacional volta a ser publicada

Reprodução da capa

Em maio, iniciou uma nova época da publicação central da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), o Correio Internacional, que retomou o formato de revista impressa que teve entre 1982 e 1995. Veja, abaixo, os temas principais do primeiro número.

A crise da União Europeia, os profundos problemas que enfrentam suas burguesias imperialistas, a resposta dos trabalhadores aos ataques dos governos e empresas. Apresentamos uma proposta programática como saída operária contra a crise.

No ano do bicentenário do início da luta pela emancipação latino-americana da Espanha, realizamos um debate com o chavismo sobre quais são os caminhos para conseguir a segunda independência e analisamos as profundas limitações das burguesias do continente para levar adiante esta tarefa.

Em outro artigo, dá-se a posição sobre um tema de candente atualidade: o que é o Estado cubano hoje e que posição devem tomar os revolucionários sobre fatos como a morte de Orlando Zapata Tamayo?

Analisa-se também a crise do PSOL brasileiro, um dos “partidos anticapitalistas” mais conhecidos no mundo.

Finalmente, o leitor encontrará artigos sobre a situação atual do Iraque, sobre a campanha eleitoral do PSTU brasileiro, e notas sobre processos de reorganização do movimento sindical em vários países e sobre a vida da LIT-QI.

Leia, a seguir, a primeira parte do artigo sobre a crise da UE, de grande atualidade a partir dos acontecimentos da Grécia.

A crise da União Europeia… E a resposta dos trabalhadores
A discussão sobre o “pacote de ajuda” para evitar a quebra financeira da Grécia, as medidas de ajuste que o governo de Yorgos Papandreu deve aplicar como condição para aceder a este pacote e a resposta dos trabalhadores gregos ante essas medidas desnudam os profundos problemas que a União Europeia (UE) e a “zona do Euro” enfrentam. A UE é hoje o “elo mais débil” da incipiente recuperação (conseguida graças às ajudas bilionários dos governos aos bancos) dos grandes polos imperialistas, muito atrás dos EUA. A situação da UE mostra que a crise econômica mundial ainda não terminou.

Nesta realidade, confluem duas razões centrais. A UE (ou a zona do euro) não é um só país, mas muitos, que apresentam níveis de desenvolvimento e situações atuais muito diferentes, desde a relativa tranquilidade da Alemanha até o tremor grego. Os “pacotes” foram nacionais, em primeiro lugar, para salvar o próprio país.

Temor à classe operária
Por outro lado, as burguesias imperialistas europeias devem enfrentar movimentos operários muito mais organizados, conscientes e de maior capacidade de luta que a classe operária norte-americana na atualidade. Por isso, atuaram com “pés de chumbo”: junto a fortes ataques aos setores mais débeis (os imigrantes), fortaleceram certas medidas “amortecedoras” (a ampliação dos prazos do salário desemprego) que postergaram os choques frontais com os setores mais fortes. Se bem que, até agora, este objetivo vem sendo cumprido (com grande ajuda das burocracias sindicais), isso desalenta a “confiança investidora” e atrasa a recuperação.

Mas a situação começa a “se descosturar” nos países mais débeis como a Grécia e Portugal. Na fila estão países de maior peso: Espanha, Itália, Inglaterra… Essa maior fragilidade européia põe em jogo o futuro da UE e da zona do euro (construídas em décadas de paciente arquitetura).

O processo de montagem do “pacote de ajuda” à Grécia abriu uma polêmica entre Ângela Merkel e Nicolás Sarcozy sobre a intervenção ou não do FMI. O triunfo da posição de Merkel é muito significativo: através do FMI, os EUA entram no processo. Isto é, a UE e a zona do euro vão continuar, mas com muito menos autonomia e com a supervisão do “grande irmão”.

O fim dos amortecedores?
Ao mesmo tempo, a Grécia mostra que começou o fim dos “pacotes amortecedores” e do tempo de evitar os choques frontais: a condição para que o governo Papandreu receba o dinheiro é a aplicação de um feroz plano de ajuste. Na Espanha, Zapatero inicia esse caminho com o ataque ao sistema de aposentadorias, e na Grã-Bretanha, Gordon Brown (em plena campanha eleitoral!) acaba de anunciar que seu plano de ajuste será mais duro que o de Margareth Thatcher (modelo neoliberal dos 80).

Frente às medidas do governo Papandreu, os trabalhadores estão respondendo com várias greves gerais e importantes mobilizações. Nesse sentido, é jogada na Grécia uma “partida” cuja importância excede o âmbito nacional: os demais governos da UE olham-se nesse espelho. Uma derrota dos trabalhadores gregos aplainaria o caminho de todas as burguesias da UE. Pelo contrário, um triunfo e uma paralisia do plano de ajuste de Papandreu questionariam tudo, desde os planos de ajuste no resto da UE até sua própria sobrevivência e a do euro.

O desenvolvimento da luta e da resposta dos trabalhadores gregos e do conjunto da Europa, por outro lado, depende de um fator essencial: o papel das burocracias sindicais. Aqui se coloca, por um lado, a exigência de romperem com os governos e encabeçarem as lutas. Pelo outro, a imperiosa necessidade de que surjam alternativas de direção para a classe operária. Um tema ao que, pela sua importância, dedicamos um artigo específico nesta seção.

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