Reunião do G20 em São Paulo é ensaio para cúpula mundial

A reunião do G20 que teve início na tarde desta sexta, dia 7, em São Paulo, servirá como preparação para a cúpula mundial convocada por Bush para o dia 15, na capital norte-americana. O G20, cuja presidência rotativa está a cargo do Brasil, é uma versão ampliada do G7, reunindo também os chamados países emergentes e a União Européia.

Um dos principais objetivos da cúpula é, segundo seus convocantes, forjar mecanismos de regulação do sistema financeiro global. Entre os objetivos declarados, está a reformulação dos organismos multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial. A cúpula do dia 15, nesse sentido, já está sendo chamada de Bretton Woods II, em referência à conferência realizada em 1944, com o desfecho da Segunda Guerra Mundial. Bretton Woods fundou o FMI, o Banco Mundial e lançou as bases para o funcionamento das economias dos países capitalistas, sob a hegemonia dos Estados Unidos.

Uma das coisas que está em pauta é a discussão de órgãos que possam regulamentar as operações financeiras globais, que extrapolam cada governo”, afirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Por trás desse discurso de regulação está a necessidade de uma ação integrada sobre os mercado financeiro, dada a incapacidade de cada país, isoladamente, agir sobre a turbulência de seus próprios mercados.

Nem mesmo os bilhões dos EUA ou da União Européia conseguem levar estabilidade aos mercados. Daí a necessidade de integrar o resto do mundo num plano de salvação dos banqueiros e investidores, às custas do orçamento público e da exploração dos trabalhadores de cada país. Mas nem esta parece ser uma tarefa fácil. Às vésperas do encontro em São Paulo, os países da Europa não conseguiam atingir um consenso para apresentar na reunião.

O que se discute são apenas mecanismos para debelar a crise financeira e os prejuízos dos capitalistas. Esse é o foco tanto da reunião do G20 em São Paulo, quanto da cúpula em Washington. Reformar o capitalismo para que ele continue o mesmo. Para que os trabalhadores de todo o mundo paguem pela crise.

Os trabalhadores não devem depositar nenhuma ilusão nesse encontro ou em suas resoluções. Muito menos na cúpula mundial. Ao contrário, assim como tem sido feito em outras reuniões, devemos repudiar a presença destes senhores, que trouxeram a crise, as guerras e tentam agora salvar o capitalismo da queda do muro de Wall Street.

Ao mesmo tempo, também devemos combater os que, ao nosso lado, insistem em enxergar possíveis reformas nesse sistema, oferecendo utopias como a de um capitalismo humano. Nada podemos esperar deste sistema. O PSTU defende que os ricos paguem pela crise e afirma que é preciso uma saída revolucionária e anticapitalista para os dias em que vivemos.

  • Leia o artigo “A nova utopia reacionária: um novo acordo de Bretton Woods é possível?”, de Eduardo Almeida

  • O que foi o acordo de Bretton Woods