Relato de um estudante sobre o congresso da UEE-RJ

O estudante Bruno, da Engenharia da UFRJ, foi ao Congresso da UEE do Rio de Janeiro e participou da bancada do Movimento Ruptura Socialista (MRS). Depois do congresso, ele escreveu um texto sobre o que viu e que temos o prazer de divulgá-lo abaixo:

O QUE FOI O CONGRESSO DA UEE?

Aconteceu no último final de semana o XIII CONGRESSO DA UEE/RJ (UNIÃO ESTADUAL DOS ESTUDANTES), em Volta Redonda. A entidade que, teoricamente, responderia pela opinião dos estudantes do RJ se transformou numa representação fantasma, afastada das lutas e do movimento estudantil. Apesar de sua direção, representada pela figura do seu presidente Alan Frick, defender em altos brados que a entidade sempre esteve ligada às lutas, o que vemos de concreto é que a UEE/RJ não promoveu nenhum tipo de debate ou jornais em que se discutisse as questões da universidade e os rumos do movmento estudantil. Ela sumiu na poeira e a maioria dos estudantes se quer sabe que ela existe.

MEDIDAS ANTIDEMOCRÁTICAS SÃO UMA CONSTANTE EM TODO O CONGRESSO

Apesar de defender um congresso democrático a UJS/PcdoB atropelaram todo e qualquer conceito de democracia. Iniciando pela forma como o grupo de oposição foi alojado – em uma quadra de esportes longe do local dos debates e sem qualquer estrutura para suportar todas as pessoas, passando pela falta de almoço para a oposição no último dia – até a inviabilização dos grupos de discussão.

Na mesa sobre conjuntura, a direção “democrática“ da UEE inviabilizou a presença do MRS (oposição) deixando claro a linha da entidade que não quer discutir e sim estrangular qualquer oposição que possa haver. Depois de muita pressão, na mesa da tarde sobre Reforma Universitária , conseguimos que a Julia (representante do MRS e diretora da UNE pela oposição) tivesse espaço na mesa que mais uma vez não teve nada de democrática, uma vez que o governo – representado pela figura do representante do MEC ,William Campos – e seus defensores tiveram direito a 17 intervenções enquanto a oposição somente 3.

A belíssima intervenção da Júlia, com questionamentos ao governo e a falta de diálogo com alunos e professores , fez com que o representante do MEC se expusesse ao ridículo não conseguindo responder com satisfatória competência a nenhum dos questionamentos, apenas alegando sistematicamente e a esmo que o governo está disposto a negociar. Perguntado sobre que espaço é esse que o governo diz oferecer para discussão, uma vez que o SINAES (que já foi aprovado) e a PEC (da deputada Selma Schoms PT/PR) foram feitos através de medidas provisórias e que em nada diferem do governo FHC, William mais uma vez destoou do foco da discussão, fugindo das perguntas para dizer que esse espaço existe (onde?!) e para dizer que o governo do PT é um governo de esquerda e que quem se opõe está fazendo o papel da direita. Ora senhor William que papelão, não insulte nossa inteligência alegando que o governo que aí está se difere em alguma coisa do governo passado, nem o senhor mesmo co nseguiu responder a essa pergunta no debate – que foi mais uma das quais o senhor fugiu.

O Movimento Ruptura Socialista, que é de oposição, ainda que em menor número, se fez presente nas plenárias e fez tremer os representantes do governo e seus aliados, dividindo a plenária em dois grupos : os que são a favor da reforma e os que são contra ela. Tamanha foi a nossa presença e a nossa expressão que, assinando mais uma vez o atestado de antidemocrática, a direção da UEE suspendeu os grupos de discussão – após as plenárias – deixando mais uma vez cair nas contradições de que este governo está em disputa.

UJS MAIS UMA VEZ NA DIREÇÃO DA UEE/RJ

A aliança UJS/PcdoB conseguiu aprovar suas propostas – como já era de se esperar – mas em nenhum dos pontos que foi aprovado lá se refere a verdadeira opinião da maioria dos estudantes. Ao contrário dos militantes e delegados do MRS estiveram em tempo integral nas plenárias e na votação (apesar de também estarem cansados), os delegados da UJS/PcdoB pareciam não estar muito interessados nas discussões políticas pois ficavam em bares ou lanchonetes ao redor dos locais de discussão. Esses delegados que mativeram essa postura não deveriam ser poucos a ponto de alguns “representantes“ da UJS/PcdoB terem que usar rádio transmissores para que na hora da votação seus delegados comparecessem e tivessem o trabalho de levantar seus crachás. Por isso há necessidade em reiterar o fato de que o que foi aprovado nem de longe representa a opinião da maior parte dos estudantes, uma vez que nem mesmo uma parte significativa dos delegados da aliança governista esteve presente as discussões.

Com a segunda maior bancada o MRS conseguiu 80 votos ficando em 2º lugar nas eleições da direção da entidade e demonstrou claramente o crescimento da oposição e a necessidade de mudanças não só na direção da entidade quanto aos rumos que toma esse governo. Fica claro que a única forma de realmente colocarmos essa reforma em discussão é construindo um encontro nacional dos estudantes onde todos poderão debater de forma democrática e elaborar planos para barrar esta reforma privatista. O indicativo de 29 e 30 de maio dado pelo Conselho de CA´s e DCE/UFRJ é a oportunidade de realmente colocarmos essa reforma em discussão, vamos juntos construir o encontro e mostrar para o governo que o ME não morreu e nem está fadado a dedicar-se ao ócio.