Relações do MST, CUT e UNE com o Estado e o governo

MST e o governo: relações perigosas
Desde que assumiu o governo, Lula vem impedindo a realização da reforma agrária. Isso já seria motivo mais do que suficiente para o MST intensificar a luta no campo, mas não é o que está sendo feito, pois essa organização pretende manter suas vantagens financeiras em relação ao Estado.

O MST participa diretamente da gestão do INCRA e co-administra as verbas destinadas a assentamentos. Esse tipo de relação faz com que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra tenha uma relação de dependência financeira e política com o Estado.
As entidades ligadas ao MST recebem também uma enorme quantia de dinheiro público todos os anos. Essas verbas são destinadas à manutenção do MST como organização. Em 2004, por exemplo, a transferência direta da União para 30 entidades ligadas ao MST teve um aumento de 150% em relação ao último ano do governo FHC.

A conseqüência disso é que o MST vem reduzindo o número de ocupações de terras no país, para evitar criar problemas ao governo Lula. De janeiro a maio de 2005, o número de ocupações de terra caiu em 47% diante aos cinco primeiros meses do ano passado.

CUT não tem vergonha de apoiar lula
A CUT cumpre um dos papéis mais vergonhosos no apoio ao governo Lula. Como comprova sua colaboração na elaboração das reformas Sindical e Trabalhistas, que fortalecem as cúpulas sindicais em detrimento da base e preparam o terreno para o fim de direitos históricos, como 13o salário, férias e FGTS.

Mas sua rendição ao governo também possui uma explicação material. Ao longo dos anos 90, sua direção, a Articulação, levou a central a uma vergonhosa dependência material do Estado burguês. As polpudas verbas anuais do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) vão parar direto nos cofres das centrais sindicais para financiar questionáveis programas de “requalificação profissional”.

Com a reforma Sindical, pretende-se criar um novo imposto sindical, quatro vezes superior ao atual. As centrais teriam direito a 10% de tudo que fosse arrecadado pelos sindicatos.

Em um cálculo apressado, o novo imposto poderia chegar a R$ 3,5 bilhões, e as centrais ficariam com R$ 350 milhões. Agora fica fácil compreender porque os pelegos da CUT são ardorosos defensores do governo e de sua reforma.

UNE, de rabo preso com o inimigo

Thiago Hastenreiter, da Secretaria Nacional de
Juventude do PSTU

A UNE nada mais é do que uma filial do Ministério da Educação dentro do movimento estudantil. São inúmeras as demonstrações de fidelidade da entidade à reforma universitária, que vai privatizar a universidade pública, salvar os empresários da educação e permitir a entrada de capital internacional no ensino superior.

O 49o Congresso da UNE, que será realizado entre os dias 29 de junho e 3 de julho em Goiânia, será palco de ato promovido pela entidade “contra o golpismo da direita”.

Dizes com quem andas…
Mas a capitulação da entidade diante do governo também tem uma base material. O golpe fatal contra a independência política da UNE deu-se com a sua entrada no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo (CNDES), onde convive alegremente com empresários, banqueiros e com a nomeação de Aldo Rebelo (do PCdoB, partido que dirige a entidade) como ministro da Coordenação Política.

Também não é por acaso que o Congresso da UNE será realizado pela terceira vez consecutiva em Goiânia. O governador do estado, Marconi Perillo (PSDB), é velho amigo da entidade e esteve presente na festa de lançamento do próximo CONUNE.

Perillo garantiu R$ 400 mil para que a UNE realizasse novamente seu Congresso na cidade. Foi ele quem promoveu o massacre contra os sem-teto na ocupação Sonho Real, que resultou na morte de três trabalhadores. Em bom português, a UNE deu a palavra e colocou em seu palanque um assassino, em troca de verba para seu Congresso.

Outra parceria político-econômica realizada pela entidade foi com a Rede Globo no projeto Memória do Movimento Estudantil. O site da UNE exibe, sem constrangimento, largos elogios à emissora: “A Rede Globo deu um amplo espaço ao movimento estudantil em sua programação. (…) A Fundação Roberto Marinho desenvolve desde 1977 projetos educacionais em todo o país”.

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