PT: do boicote à adaptação

O PT nasceu como expressão das mobilizações das décadas de 1970 e 1980, reunindo boa parte da vanguarda daquele momento: ativistas das greves metalúrgicas, de professores, bancários, funcionários públicos e sem-terras.

Nas Diretas Já, o PT teve um papel destacado. Suas bandeiras vermelhas cobriam grande parte das mobilizações. Em 1985, denunciou a farsa das eleições indiretas no Colégio Eleitoral, negando-se a participar do pacto de transição formado pelas elites. Suportou a pressão e as críticas que o chamavam de “sectário” e expulsou os três parlamentares que haviam rompido com a disciplina partidária, indo votar em Tancredo.

Anos mais tarde, contudo, terminaria por sucumbir às pressões da democracia e do Estado burguês. O PT foi colhendo vitórias e transformando-se em um mero aparato eleitoral. Os ativistas foram substituídos por deputados, vereadores, prefeitos, governadores e uma legião de assessores, que se preocupavam exclusivamente em como ganhar as próximas eleições e manter seus altos salários.

As campanhas eleitorais passaram a ser financiadas por empresários e banqueiros, que, por sua vez, cobravam a fatura logo depois que os candidatos do PT eram eleitos. Daí para os escândalos de corrupção envolvendo governos petistas, foi um pulo.

20 anos depois: junto com os representantes do velho PDS
Hoje o governo revela com toda a clareza a mudança que já vinha ocorrendo antes no PT.

Convertido ao neoliberalismo, comanda o país com a maior taxa de juros do mundo, reprime as mobilizações dos trabalhadores, envia tropas ao Haiti a serviço de Bush.
O PT chega a ter vergonha de seu passado pelo boicote ao Colégio Eleitoral, convidando até mesmo os três parlamentares expulsos na época a regressarem ao partido.

No Congresso, seus aliados são os antigos caciques do PDS, como Antonio Carlos Magalhães e José Sarney.

Agora vai incluir na sua reforma ministerial o velho PDS. Os futuros ministros Romero Jucá e Roseana Sarney têm sua origem política vinculada ao partido da ditadura. Já Ciro Nogueira, indicado por Severino Cavalcanti, é do PP, de Paulo Maluf, sucessor direto do PDS.

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