PT: a hegemonia questionada

O PT termina 2005 com sua hegemonia no movimento de massas claramente questionada.
Este partido nasceu das grandes greves da década de 80 e se transformou no maior partido operário da história do país, um dos maiores de todo o mundo. Foi a direção hegemônica do movimento de massas do país por mais de vinte anos, tanto nas lutas sindicais como nos processos eleitorais.

O PT dirigiu a CUT (com cerca de três mil sindicatos), o MST, os movimentos populares, reunindo a vanguarda e boa parte dos setores de massas de trabalhadores e jovens do país. É essa hegemonia que está neste momento sendo claramente questionada pela crise mais profunda de sua história.

O PT seguirá sendo um grande aparato eleitoral. Afinal, montou uma estrutura parlamentar nacional que abrange 96% do território do país, superior às dos maiores partidos burgueses, com mais de 800 mil filiados, 411 prefeitos, 3677 vereadores, centenas de deputados estaduais e dezenas de federais.

Mas não será o mesmo PT de antes. O que possibilitava a ampla hegemonia petista era aliar seu peso nos movimentos de massas com um projeto de mudar o país através do voto, da eleição de Lula. Este projeto hoje foi golpeado pela experiência com Lula.

O Estado não mudou. Quem mudou foi o PT
A história do PT pode ser resumida em uma frase: um grande partido reformista foi tragado pela democracia burguesa.

O partido de esquerda nascido em 1980 era marcado pelas grandes greves da época. Nas eleições de 1982 seu lema era “trabalhador vota em trabalhador”. Em todas as lutas, as bandeiras vermelhas do PT estavam presentes.

No entanto, já naquela época revelavam-se os limites deste partido. Sua direção era formada por uma burocracia sindical – com posições à esquerda – que se negou a apontar uma perspectiva revolucionária para o novo partido.

Nos anos 90 ocorreu uma grande virada no PT. Em primeiro lugar, as greves refluíram e ocorreram a derrubada das ditaduras stalinistas do leste europeu, o que facilitou um giro à direita das direções operárias em todo o mundo. No Brasil, isso se combinou com as vitórias eleitorais do PT. A direção do partido se deslocou dos dirigentes sindicais para os parlamentares. O eixo do partido passou a ser a participação nas eleições, que asseguraria a continuidade dos mandatos desses dirigentes. As bandeiras deixaram de estar presentes nas lutas.

O socialismo vago dos tempos iniciais transformou-se numa estratégia idêntica à da social-democracia européia: administrar o neoliberalismo.

Tudo o que estamos vendo hoje é conseqüência desta mudança. Como se eleger torna-se o centro das preocupações, fazendo necessário todo tipo de alianças com a burguesia, buscar o dinheiro das grandes empresas. Isso significa incorporar o programa das empresas multinacionais, o mesmo plano neoliberal do PSDB-PFL.
E… entrar com tudo na prática da corrupção. A enxurrada de denúncias sobre o mensalão, dinheiro no cuecão, o Land Rover de Silvinho Pereira, o obscuro assassinato de Celso Daniel, entre outros trambiques, vem daí.
Não foi o regime e a máquina do Estado que mudou com PT. Foi o PT que se corrompeu e se transformou.

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