O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), faleceu aos 41 anos. Desde o início de maio, estava internado no Hospital Sírio Libanês para tratar de uma piora no câncer, descoberto em 2019. A morte foi anunciada em 16 de maio, um dia depois do quadro ser considerado irreversível.

Bruno Covas iniciou sua carreira política aos 18 anos, sempre no PSDB. Foi deputado estadual por São Paulo em 2006 e 2010.  Foi Secretário do Meio-Ambiente no Governo Alckmin (PSDB) em 2011.  Tornou-se prefeito da capital paulista em 2018, quando João Doria deixou o posto para se tornar governador, de quem era vice. Em 2020, foi reeleito numa disputa acirrada com Guilherme Boulos (PSOL) e estava no primeiro ano do segundo mandato como prefeito.

O câncer é uma doença triste, mesmo para quem tem tratamento de ponta, como Bruno Covas. Mas é ainda mais para muitos paulistanos que morreram por falta de atendimento nos hospitais públicos ou por falta de condições de comprar medicamentos para fazer o tratamento; que foram vítimas de uma política privatista do SUS e da terceirização da saúde pública da capital e do estado, sempre defendidas e implementadas pelo PSDB.

O legado de Bruno Covas, durante a pandemia, foi não ser consequente com a defesa da vida: cortou o auxílio-merenda dos estudantes da rede pública, não teve uma política de paralisar as fábricas e todos os serviços não essenciais, não teve política para contenção eficaz da contaminação nos transportes públicos. Ainda que tenha se diferenciado do negacionismo de Bolsonaro, o resultado da parceria com Doria é desastrosa: são 104 mil mortes por Covid-19  no estado dentre as  435 mil que ocorreram no país.

O mandato de Doria-Bruno Covas também ficou conhecido por implementar a reforma da Previdência aos servidores públicos (o SAMPAPREV) e pelas imagens chocantes de agressão a  professores e professoras em greve. E, ainda, pelas mortes de 9 jovens de Paraisópolis em consequência de trágica e repudiável ação policial.

Ricardo Nunes (MDB) assumirá o posto de prefeito. Empresário de 53 anos, foi escolhido como vice de Covas após um arranjo político entre DEM, MDB e PSDB que mirava as eleições de 2022. Durante a campanha, em 2020, surgiram contra ele denúncias de corrupção (suspeita de tirar vantagens em benefício próprio) em contratos de creches conveniadas. Veio à tona também um boletim de agressão e violência contra sua esposa. Bruno Covas, na ocasião, disse que acreditava na inocência de seu vice.

Para os trabalhadores e o povo pobre de São Paulo, o rumo do governo continuará o mesmo: retirar direitos dos trabalhadores e assegurar isenções, privatizações e outras concessões para favorecer a iniciativa privada, enquanto o desemprego e a fome ameaçam cada vez mais os paulistanos. A vacina ainda não existe para todos, e a necessidade de isolamento não será assegurada por falta de políticas para garantir a renda. Milhões de trabalhadores seguirão se expondo ao COVID-19.

Respeitamos os que sentem a perda de Bruno Covas.  Diante da sua morte, políticos e meios de comunicação vão exaltar seus feitos, tentando nos fazer acreditar que ele governava para o bem da sociedade.  Mas nós sabemos que ele governava para os ricos e muitas dores do povo pobre e trabalhador da cidade foram amplificadas por suas políticas. Por isso, nossa classe não tem de se abalar.  É preciso seguir na luta para assegurar a sobrevivência e a vida dos nossos, que muitas vezes se resume a um número para os grandes empresários, governos e burgueses.