PSTU Rio realiza debate ?A Resistência Operária à Ditadura Militar e a Comissão da Verdade?

Atividade reuniu cerca de cem pessoas

No dia 4 de abril, na semana em que o golpe militar completava 49 anos, o PSTU do Rio de Janeiro promoveu o debate “A Resistência Operária à Ditadura Militar e a Comissão da Verdade”. O debate ocorreu no campus do Largo de São Francisco da UFRJ (IFCS-IH) e contou com a presença de mais de cem pessoas.

Os debatedores José Maria de Almeida, o Zé Maria, presidente nacional do PSTU e ex-candidato à Presidência da República, e Helena Souza, a Lena, que foi operária e militante na década de 1980, contaram a história que pouco aparece nos livros: a resistência dos operários pelas comissões de fábrica, a luta contra os limites que impunham os dirigentes sindicais pelegos e as estratégias para fugir da repressão que a ditadura, em colaboração com as grandes empresas, perpetravam aos trabalhadores.

Helena também destacou o papel das mulheres operárias, que tinham de superar, além das perseguições dos patrões, a opressão imposta pelo machismo, e como este era usado pelas empresas para desmobilizar e dividir os trabalhadores.

Zé Maria destacou o esforço, do qual o PSTU é parte, em demonstrar que o regime empresarial-militar surgiu “na medida em que as empresas sentiram-se ameaçadas”. Por isso, “lançaram mão dessa forma política, em aliança com as forças armadas”. Ainda ressaltou que, no sistema capitalista, não há nada que diga que, caso a burguesia nacional se sinta novamente ameaçada, não lance mão, mais uma vez de perseguições, torturas e assassinatos.

“Não tem haver com o passado, e sim com o futuro”
O papel limitado da Comissão da Verdade também foi assunto no debate. No Brasil, décadas depois do fim da ditadura, se instaurou uma comissão que tem o papel somente de “apurar” o que ocorreu, e abre mão de punir os responsáveis pelas torturas, perseguições e assassinatos. Zé Maria reafirmou que “Não tem haver com o passado, e sim com o futuro”, ou seja, a punição aos agentes da ditadura, tanto civis quanto militares, tem haver com a necessidade de fazer com que não se repita um regime de perseguições à classe trabalhadora.